Sunday, September 14, 2008

Quatro

Seguem-se os Egafilmes (microfilmes relativos aos Maias ou aos amores de Pedro e Inês) do 11.º 4.ª. Para já, os de Ana, José, Margarida, Afonso & João C., João Picão, Filipa, David, Tiago S. & Carlos, Daniel, Bruno, Maria, Cosme, Tiago G., Xavier & Gonçalo, Gil & Rodrigo.

Ana

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Ana (18) Concepção É um anúncio ao livro: a pretexto das expectativas sobre o nome «Maias», vai-se adiando o esclarecimento do objecto Os Maias, que surge assim, no final, realçado pela surpresa (como se faz em publicidade, essa revelação final, depois da acumulação de pistas erradas, é relativamente rápida). (O processo de andar em torno de um título, adivinhando qual é o referente, reproduz o que na verdade fazemos quando nos abeiramos de um livro: vamos pondo hipóteses, que depois afinamos, primeiro fundadas só na capa e no título, depois já em informações avulsas da contracapa, etc.). Expressão oral Creio que se trata de leitura expressiva (ou é representação directa?), que está irrepreensível. Texto Uma das dificuldades que põe um anúncio assim é a de cada alusão a «Maias» ter de ser criativa mas também breve (para o efeito da série se cumprir, não podia o texto demorar-se demasiado em cada acepção — devendo esta, porém, ficar clara, apesar da eventual ironia); esta regra foi sempre alcançada; a escrita conseguiu também adequar-se à coloquialidade que se pretendia imitar. Duração 2:07.

José

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José (17) Concepção É um publifilme a Os Maias, com recurso a uma narrativa, em três tempos, que o tornam eficaz e ritmado (apesar da demora do filme até). Expressão oral Na parte inicial, em que o texto é lido, há talvez velocidade excessiva; e a entoação de «Para quê lê-los?» não saiu boa. Na parte representada, a dicção é sempre perfeita e o estilo é verosímil, absolutamente natural. Na última parte, já sobre Os Maias, a leitura volta a ser apressada, embora menos evidentemente do que no início; a entoação, ao anunciar a obra de Eça, não me parece a ideal. Parte dos problemas de leitura em voz alta acontecem quando o texto é rebuscado, pouco espontâneo (quando é mais o que se costuma dizer sobre o livro do que o que escreverias de raiz). Texto Boa planificação do pretexto narrativo. Acho a sequência de caracterização dos livros que se vão rejeitando um tanto subaproveitada. Podia ter-se levado mais longe a ironia com os títulos que vão surgindo (deles inferindo intrigas ou assuntos estapafúrdios; aproveitando para fazer considerações sobre as várias partes paratextuais: «na contracapa, diz-se que...»; «pelo frontispício, percebemos que se trata de...»; «bela lombada a deste...»). Como já disse a propósito da oralidade, no texto sobre Os Maias aparecem alguns lugares comuns («uma das obras mais conceituadas»), embora, passado um primeiro momento, se retome uma escrita mais original; «trata-se de» também é recorrente. Duração 3:34.

Margarida

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Margarida (17) Concepção Cria-se a carta que Maria Monforte teria escrito a Pedro da Maia, ainda antes da fuga (não a efectivamente lida por Pedro, mas outra, deixada escondida num baú). O enquadramento com o resto de Os Maias é coerente (Vilaça serve de introdutor, bastante plausível, da descoberta). Expressão oral Leitura é, quase sempre, a correcta, com velocidade e tom bem escolhidos. Só notei uma ou outra ligeiríssimas pausas indevidas em frases maiores (como para ganhar fôlego) Texto A redacção consegue superar a dificuldade de se encontrar, num texto deste género, o registo apropriado (século XIX; mulher angustiada; etc.). Não se descobrem frases inverosímeis (demasiado à século XXI, por exemplo), o que não é mérito menor. Encontro só estes trechos melhoráveis: em «e, de repente, abriu-a», a anáfora não resulta (já que o que antes se referira fora o «baú», masculino portanto); «que me tem morto» deveria ser «que me tem matado» (embora possa não soar bem, a regra estipula que com o auxiliar «ter» é a forma regular do particípio passado que se adopta); «faziam saltar à ideia» parece-me substituível por «traziam à ideia»; já quase no final, «que se matara» seria melhor do «que se matou»; na parte ainda de narração, talvez pusesse «para averiguar das suas condições» (ou para «verificar as suas condições») em vez de «para averiguar as suas condições»; numa das legendas, as aspas de «A carta» deviam estar coladas ao sintagma (parece haver espaços). Duração 2:05.

Afonso & João C.

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João C. & Afonso (16,5) Concepção Reescreve-se, e canta-se, «O homem do leme», transformado em «Os Maias do leme». Foi uma boa ideia, embora com os seus escolhos: no início, voz de Afonso não é muito musical — arrisco eu, que (também) não tenho grande ouvido — e há algumas confusões relativas à intriga (refiro-as à frente). Mas reconheço bastante mérito a este formato, quer pela originalidade, quer na execução. Em outros egafilmes, preferia que não se tivesse usado imagens da telenovela, mas aqui, como o foco deve ser mesmo a música e a sua letra, a novela como pano de fundo é uma solução perfeitamente aceitável (só no final é que teria sido preferível lerem vocês a declaração «vencidista», em lugar de intercalarem a locução brasileira; e também acho que eram escusados os slides com texto — abrasileirado, pelo menos o segundo). Expressão oral O formato usado, cantado, faz que não haja muito a dizer quanto à fluência da leitura; e as capacidades vocais de Afonso e João não são relevantes para o nosso caso (de qualquer modo, depois de um início pouco afinado, Afonso e, depois, João, estiveram relativamente musicais). Texto Aí vão as rectificações: em 1875, Afonso da Maia instala-se no Ramalhete mas com o neto, Carlos (Pedro já morrera há muito); por sua vez, quando Pedro — pouco antes do suicídio — deixa Carlos com o avô, tudo se passa na casa de Benfica. De resto, a adaptação da letra é eficiente, conseguindo cobrir o mais importante do enredo do romance. (Deixo aqui o link para a música original dos Xutos e Pontapés: http://www.youtube.com/watch?v=9AvUeoH81ZI.) Duração 4:50.

João Picão

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João Picão (17,3) Concepção Parte-se do espaço histórico (supostamente, o do Ramalhete), para, a pretexto de um projecto de arquitectura, se fazer alusões à intriga dos Maias, sempre com analogias com a sociedade actual. É um esquema que permite fazer menção de factos avulsos do enredo e, ao mesmo tempo, aproveitar aspectos criativos ligados à própria área vocacional do autor, a arquitectura. Agora, é preciso explicar o meu «supostamente». Tanto quanto se sabe, o palacete em que Eça se inspirou não fica na zona das Janelas Verdes (já agora: o topónimo remete para todo o bairro que fica na zona de Santos, Pampulha, perto do actual Museu de Arte Antiga; não é, portanto, um termo reportável a um edifício em particular), embora Eça aí situasse a história. Parece que o edifício que sugeriu a Eça o palácio dos Maias ficava, na verdade, mais para Alcântara, quase na zona de Santo Amaro (na Junqueira, mais precisamente), e era o solar de um amigo do escritor, o Conde de Sabugosa (há uns anos ainda estava lá esse edifício, o n.º 120-124 da Rua 1.º de Maio — ver aqui a imagem http://img183.imageshack.us/img183/6246/ramalhetei.jpg —, e creio que aliás ainda existe hoje). Expressão oral A leitura é boa, não se detectam falhas gramaticais, se assim podemos dizer, mas não consegue chegar ao estilo — mais informal (embora estudadamente), quase representado — que convinha a este monólogo (o registo de quem está a pensar e a fazer ao mesmo tempo). No âmbito das tais eventuais falhas mais localizadas, anoto uma hesitação, uma pausa escusada, em «saboreio os quentes raios [...] de sol»; por outro lado, a seguir a «recanto» e antes de «Como [...]?», haveria, ao contrário, que fazer pausa maior, para ganhar fôlego para a interrogação; quanto a «cedro», «c[ε]dro», com «é» aberto, é melhor pronúncia. Texto Com a vantagem do inteligente contexto concebido, o texto está além disso também bem escrito. Valeria ponderar se, em vez do paralelo com slides informativos (cara de Eça, poltrona, etc.), não funcionava melhor o simples foco na planta, na maquette, e no acto de ir desenhando. Sintaxe problemática (mas que não sei se ouço bem): «já a cascatazinha esgotada pelos desgostos passados deixara[m] mesmo de fazer sentido» tem como sujeito ‘cascatazinha’, o verbo tem de ficar no singular. Duração 2:52.

Filipa

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Filipa (17,2) Concepção Criam-se páginas de diário de Afonso da Maia (relativas ainda aos capítulos iniciais, entre o começo dos amores de Pedro por Maria Monforte e o abandono da casa de Benfica por Afonso, já com Carlos, na direcção de Santa Olávia). Imagens do diário, estilizadas, contêm, ou destacam, o mais importante do que é lido, conseguindo-se uma síntese, quase pedagógica, do texto que é ouvido. Talvez se pudesse ter prescindido das imagens da novela brasileira (que, é certo, contextualizam; mas também constrangem as possibilidades de recriação). Expressão oral Não há erros — de pronúncia ou de «pontuação» oral — nem falhas evidentes de entoação. Também a velocidade é a apropriada, embora me pareça que maior expressividade não seria descabida, com uma leitura um pouco mais representada. No segmento «como a mãe», evitaria fazer a contracção — «com’à mãe» —, por não esta ser congruente com o registo que se espera do fidagal Afonso. Texto Boa escrita. Não me apercebi de incoerências, anacronias, nas páginas inventadas, em termos de factualidade, o que já é muito meritório. Talvez o monólogo pudesse ser mais psicológico (menos detido no enredo, concedendo-se mais espaço às angústias de Afonso). Também a sintaxe está quase sempre acertada (apenas em «será que Maria teria morrido?» os tempos verbais não são aceitáveis, devendo ficar «teria Maria morrido?» ou, mas supondo quase discurso directo — e a situação do diário aconselha discurso indirecto ou indirecto livre —, «Será que Maria morreu?»; e, em vez de «Será que me tinha visto livre dos Monforte?», ficaria melhor «ter-me-ia visto livre dos Monforte?»). Duração 2:51.

David

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David (16,4) Concepção Criam-se páginas de um diário de Ega, já no século XX. O registo de diário é verosímil, embora me pareça que falta algum tempo ao filme, para que o ritmo, necessariamente fragmentário e lento, das páginas de cada dia se pudesse ir acumulando (sem a intriga se tornar artificial). Também não chega a haver suficiente aproveitamento da deslocação de um século (quase tudo o que ouvimos é compatível com o século XIX). Expressão oral É talvez o aspecto mais melhorável. Há falhas devidas a precipitação ou insuficiente ensaio (a velocidade, sobretudo, conflitua com a entoação de quem estaria a pensar, enquanto ia escrevendo; mais pontualmente: «excentricidades» não saiu bem; «que se dá todas as sextas» foi introduzido com demasiada pontuação); mas também é preciso dizer que é difícil ler um texto irónico (ou com os tiques humoristícos que tinha uma personagem como a de Ega). Ega, Dâmaso, etc. são personagens caricaturais que, a serem transpostas para teatro ou radiofonia, implicam certo exibicionismo (na peça portuguesa transmitida na televisão há muitos anos, vimos que Canto e Castro conseguiu fazer um bom correspondente da personagem Dâmaso; já o Ega dessa mesma peça saiu demasiado apagado; na telenovela brasileira, Ega aparece convenientemente histriónico, mas talvez sem a sofisticação que lhe atribuímos habitualmente). Texto Algumas das dificuldades postas à leitura vinham, como fui dizendo, da própria escrita, do estilo eciano — que, em geral, David conseguiu mimar bem —, com estrangeirismos, com superlativos inesperados. Sugestões minhas: em vez de «ao início», «no início»; talvez em vez de «chato», «secante». Duração 2:07 (e eu acho que valeria a pena ter alongado mais o texto).

Tiago S. & Carlos

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Carlos & Tiago S. (13,8) Concepção Trata-se de anúncio televisivo. Especificando mais, o género pode circunscrever-se aos anúncios, menos sofisticados, da secção de «televendas». Como o natural neste formato de publicidade para venda imediata é mesmo o estilo mais imperativo do que criativo, podem os autores do presente egafilme argumentar que, querendo fazer réplica exacta dessa publicidade popular, preferiram pouco investir no próprio texto (já que a originalidade faria filme inverosímil dentro do género escolhido). Só que, nesse caso, contraporia eu que foram esquecidos alguns tiques do formato «televendas» — as propostas de brindes suplementares, a superlativação desmedida, a acumulação de vantagens do objecto que se impinge, etc. Expressão oral Tiago faz uma boa leitura (apenas «biblioteca» saiu ligeiramente contraído). Carlos esteve a um nível aceitável. Teria gostado que o texto fosse mais longo (o que, claro, lhes teria trazido outro tipo de dificuldades, mas também elevaria a bitola destas apreciações). Texto Há demora até que surja texto (haverá mesmo certo desperdício do tempo disponível). Depois, uma primeira parte da redacção é dedicada a uma síntese-elogio do livro (sem erros; mas demasiado colada aos textos comuns sobre a obra, que encontramos em qualquer manual). Vem então a parte de apelo, que acaba por ser a mais original. Podiam, decerto, ter levado mais longe a caricatura ao formato de anúncio em causa, mais ou menos como exemplifiquei há pouco. Duração 1:46.

Daniel

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Daniel (15) Concepção Faz-se uma súmula dos perfis dos três Maias, representantes de três gerações (Afonso, o liberal [romântico]; Pedro, o doentio [ultra-]romântico; Carlos, o diletante realista). O foco é posto no texto que é lido, surgindo imagens da telenovela como pano de fundo. Era uma solução difícil. Tinha-lhes dito que evitassem fazer abordagens globais e sérias (aconselhando antes as reformulações, um tratamento mais inventivo e parcial). Expressão oral Boa, mas não tão boa quanto o Daniel seria capaz de fazer. O próprio estilo de texto, académico, torna a leitura em voz alta mais espinhosa do que seria habitualmente. Uma correcção: deve pronunciar-se «est[ε]ta», com «é» aberto. Texto Creio que o texto está demasiado colado ao que outros escreveram sobre Os Maias. A linguagem é à manual escolar ou de ensaio académico; preferia uma redacção mais criativa, o que, é certo, estava logo à partida prejudicado pela concepção do filme. Duração 4:27

Bruno

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Bruno (18) Concepção É um trailer para uns Maias alternativos, transmutados em filme de terror. Aproveitam-se bem, ironicamente, alguns dados do livro original (o subtítulo, o incesto), mas teria sido possível convocar ainda mais peripécias do romance de Eça. Sem saber bem a dificuldade técnica que isso comportaria, admito que se pudesse, além dos títulos em inglês, verídicos, usar outros — também em inglês até — forjados em função dos próprios Maias (além do dizer usado «Os Maias!»). Expressão oral Leitura sem falhas, mesmo se com o constrangimento da adaptação ao timbre grave adequado ao género que estava em causa. (Descubro apenas uma hesitação no ataque a «A[s] Cidade e as Serras».) Texto Trocaria «repleto de amigos» (são se pode estar ‘repleto de amigos’) por «rodeado de amigos». De resto, a redacção (em parte, tradução) tem bom gosto e é um excelente pastiche (paródia aliás: cfr. timbre para subtítulo; aparte para «e de homens») do género ‘trailer de terror’ Duração 2:50.

Maria

[não se põe a gravação, a pedido da autora]

Maria (14,7) Concepção É um egafone, uma publicidade radiofónica a Os Maias. O ritmo e o tipo de apelos são similares aos da publicidade tradicional da rádio (que, em parte, nos horários de televendas as televisões também seguem), mas o assunto é abordado ironicamente. Expressão oral Boa leitura. Notei apenas uma hesitação mais marcada em «oferecemos-lhe»; também o último número de telefone saiu pouco convicto. Texto Boa sintaxe. A autora mostra conhecer os tiques deste formato publicitário. A ironia resulta, mas podia ser levada mais longe. Assumindo-se na parte mais directa do anúncio que Os Maias são secantes, convinha, ao longo da gravação, ir argumentando essa excelência contrária da obra: gabar os passos entusiasmantes — que seriam, é claro, peripécias aborrecidas —, as personagens inesquecíveis — de que o anúncio elogiaria as manias ou aspectos mais inócuos —, etc. Nem haveria o risco de o anúncio ficar demasiado extenso, já que a publicidade radiofónica pode ser, pela sua natureza, mais longa do que os filmes publicitários. (Uma das críticas que faço a este egafone é que há relativo desperdício de tempo, a parte com texto não excederá um minuto. E, nos anúncios radiofónicos, até costuma haver certa sofreguidão a aproveitar todos os espaços de tempo.) Um outro leve reparo: o anúncio começa por se dirigir a um «tu»; no final, o comprador aparece tratado na 3.ª pessoa (subentendendo-se um «você»). Duração 1:31.

Cosme

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Cosme (18,2) Concepção Criam-se momentos das Memórias de um átomo, de João da Ega. O assunto do livro de Ega é levado à letra, actualizado segundo a ciência do século XXI (em Ega, o título seria mais figurado, embora a personagem quisesse, é claro, alardear vanguardismo e cientificidade), parodiando também, se bem percebi, peripécias da vida real. Este egafilme é, na verdade, um cosmefilme, mobilizando técnicas a que deve corresponder muito engenho e competências na área da informática. Expressão oral Como digo a seguir, há bastante expressividade no próprio texto (a narração de 1.ª pessoa é entrecortada por falas pontuais), o que pede uma leitura dúctil, quase de representação, que o autor consegue perfeitamente. (A leitura só é prejudicada — não na realização, mas no modo como a recebemos nós — pela inconstância do volume, o que há-de ter que ver com a gestão de diversas fontes de som.) Texto O género é memorialístico, mas assume-se um registo monologal (ou até dialogal, se bem que com um destinatário que se sabe não ir responder), mais do que escrito. Esse registo informal facilita a sintaxe, mas implica a tal maior plasticidade na leitura em voz alta. Não me apercebi de agramaticalidades, de léxico mal escolhido, etc. (Tenho de ressalvar a possibilidade não ter analisado bem todas as incidências do filme, já que nele há focos que exigem domínio de conceitos/temas para mim bastante esotéricos.) As incorrecções linguísticas que encontrei ocorrem já no slide final: falta o acento em «fictícia»; nesse mesmo curto texto, deveria haver mais vírgulas (mas posso admitir que a disposição, em espécie de colofão, faça dispensar a pontuação); os títulos de livros, mesmo se fictícios, deveriam ficar em itálico (e não entre aspas). Duração 2:58.

Tiago G.

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Tiago G. (16,4) Concepção Trata-se de roteiro dos lugares lisboetas de Os Maias. À medida que se vão mostrando os espaços actuais, lêem-se trechos da obra que a eles aludem ou sínteses acerca da evolução de Lisboa neste quase século e meio. Naturalmente, não são mostrados todos os espaços (haveria ainda a zona de Arroios e Penha e França, Benfica — mas, na verdade, estas duas zonas não eram citadinas no século XIX). Na parte da Baixa, talvez não tivesse sido difícil fazer planos do Largo de Camões, do Hotel Universal (correspondente hoje aos Armazéns do Chiado — isto é, ao Centro Comercial que se chama assim). Sobre a Havaneza, ficava o Hotel Alliance (creio que é hoje o Hotel Borges). Quanto ao Ramalhete, lembro o que já escrevi nos comentários aos filmes de Filipa e Susana (11.º 5.ª) e não sei se de João Picão: a casa que inspirou Eça seria mais para Santo Amaro (era o solar do Conde Sabugosa, outro Vencido da Vida), embora o bairro das Janelas Verdes seja o que é mostrado. Expressão oral Leitura, em geral, bastante razoável, ou mesmo boa; é preciso ter em conta que se trata de textos que não são dos mais fáceis (porque descritivos e densos). A parte olissipográfica também é difícil. Houve lapso em «vieram [a] habitar» (é sem a preposição); e pausas indevidas, ou hesitações, antes de «obelisco», «de inverno», «enegrecendo». Pronúncias melhoráveis são as de «jesuítas», «ciprestes», «c[ε]dro» (a vogal é aberta). Texto Devia ter-se identificado a fonte das informações sobre Lisboa, ainda que decerto tenha havido reescrita. Notei estas repetições (quase sem espaço entre as duas palavras): «encontra-se»/«encontro»; «especialmente»/«especial». Em «Tiago Garrido Produções», faltam o til e a cedilha, o que, se calhar, tem que ver com os caracteres disponíveis. Duração 4:08.

Gonçalo & Xavier

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Xavier & Gonçalo (15,5) Concepção Inicialmente, parecia que se tratatava de programa académico, cultural, sobre assunto ensaístico («As mulheres nas obras de Eça»); à medida que se avança, assume-se — ou só então o vamos percebendo nós — que o projecto tem de ser levado com certa ligeireza, dada a relativa impreparação para a tarefa a que se propunham, e o filme adopta o formato de sketch sobre «dois indivíduos para quem dois minutos de trabalho é já demasiado». O filme mostra que, com mais demora, podiam ter feito excelente e original egafilme, no formato «sketch de caricatura de dois intelectuais a falarem sobre Os Maias». (Também o prazo de entrega do filme foi, como se sabe, muito ultrapassado.) Expressão oral O texto não foi tão ensaiado quanto, para que tudo saísse perfeito, devia ter sido. No entanto, os dois autores revelam facilidade na representação (o tom de voz, a entoação, o à-vontade são aqueles; consegue-se disfarçar bem uma ou outra hesitações; e, dado o objectivo humorístico que se visa, certa artificialidade do diálogo é mesmo necessária). Texto Enquanto texto sério, como parecia ser no início, vê-se que tudo foi reunido, cerzido, apressadamente. (Há aliás uma confusão: a Condessa de Gouvarinho era realmente casada... com o Conde de Gouvarinho.) As soluções para o momento em que se começa a desconstruir a abordagem séria — o final, por exemplo, é muito bom — revelam domínio das características dos sketches (neste caso, não longe das do teatro do absurdo). Duração 1:52

Gil & Rodrigo

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Rodrigo & Gil (16) Concepção É um filme sobre uma demanda, a demanda do manuscrito original de Os Maias. Como exercício de cinema, é interessante, revelando os autores boas capacidades (técnicas e narrativas); como tarefa escolar, pode fazer-se a crítica de que acaba por ser superficial a alusão à obra que sugeria o trabalho. Bom acabamento de tudo, embora o final tenha ficado um tanto abrupto. (Também o prazo de entrega foi muitíssimo ultrapassado...) Expressão oral Há relativamente pouca leitura em voz alta. Porém, tudo o que é dito saiu bem. Texto Mostra-se boa apropriação das características do género ‘trailer’ mas também de outros tópicos da história do cinema. Há também momentos de ironia (a repetição da focagem da publicidade em certo resguardo de autocarro perto do Trindade). «E agora que todos o procuram» talvez devesse ficar «E, agora, que todos o procuram, [...]» mas é quase discutível. «O manuscrito escrito por Eça» podia ficar «O manuscrito de Eça». Duração 3:36