Friday, September 11, 2009

Ibisfilmes 12.º 5.ª

Seguem-se os microfilmes em torno de poemas de Pessoa, por alunos do 12.º 5.ª. As instruções para estes ibisfilmes estão aqui. O conjunto de poemas tratados está aqui.
Por razões de logística (ter à mão certos livros, e outros não, por exemplo), não cumpro a exacta ordem de chegada dos filmes (que me desculpem se houver alguém dos primeiros a entregarem que não seja de imediato contemplado com comentário).
Ricardo

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«Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...» (Alberto Caeiro)
http://arquivopessoa.net/textos/1486
Ricardo (16) Expressão oral Na parte da introdução ao poema, nota-se a tendência (que é de todos os portugueses, mas sobretudo dos de Lisboa) para elidir vogais: «het’ronímia»: por «heteronímia» — o radical «hetero», como tantas vezes sucede com estes elementos eruditos que conservam certa autonomia mesmo agregados, exige vogais pouco fechadas); «(d)tremina» por «determina»; «o cus sentidos captam» («o que os [ukiuj] sentidos captam»). Quanto aos outros aspectos da leitura em voz alta, tudo bem (velocidade adequada, entoações pertinentes). No poema, a leitura em voz alta é bastante boa (sem adoptar um estilo representado, dramatizado, e preferindo um tom quase neutro, ainda assim aproximou-se o Ricardo do registo que concebemos como o do «guardador de rebanhos»; e não há falhas — embora se possa dizer que o texto, por ser pequeno e de sintaxe linear, também não punha muitas dificuldades.
Concepção Há um momento de narração (de ordem teórica, se assim podemos dizer) que introduz a leitura do poema (não é era um momento que eu recomendasse muito — receava que lhes faltasse a capacidade de redacção para esse tipo de discurso —, mas não correu mal, neste caso, embora suponha que se recorreu à ensaística sobre Pessoa); segue-se, encaixado portanto, o próprio texto de Caeiro. É certo que no acabamento, no invólucro final, se nota a capacidade técnica e o sentido estético de Ricardo. No entanto, estruturalmente, em termos de criatividade, creio que se ficou aquém do que o autor é capaz. As imagens que ilustram o poema são isso mesmo (ilustrativas), estratégia que eu advertira como arriscada (o poeta menciona «cidade», aparece uma cidade; etc.). Mesmo o espectacular trecho de filme reproduzido se relaciona com o poema de modo literal (é alguém que olha o universo, tanto quanto isso é possível); ora, provavelmente, o «olhar o universo» de Caeiro tem pouco a ver com «olhar o universo» (este quase-oxímoro, aliás, podia ser de Caeiro). Escrita «Vídeo» deve ter acento; «12.º 5.ª» era melhor que «12º5ª» (a que faltam os pontos de abreviatura e o espaço). (Nem referiria este pequeno desleixo se ele não contrastasse com o impecável grafismo e acabamento que já elogiei.) Pessoa Autógrafo:
http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item108/P1.html Duração 2:04

Susana

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«O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia» (Alberto Caeiro)
http://arquivopessoa.net/textos/3555
Susana (17,8) Expressão oral Leitura perfeita no que se refere à correcção gramatical (pontuação, entoações, pronúncia), não tendo eu nenhum reparo concreto a fazer. Quando muito, podemos hesitar sobre qual seria o «estilo de expressividade» adequado a Caeiro: mais apenas murmurado? mais infantil e ingénuo? mais coloquial e menos declamada? Creio que o estilo, relativamente neutro, que lhe deu Susana é dos mais adequados, embora não tenha dúvidas de que um actor teria tentado fazer uma aproximação como as que interroguei. Concepção As imagens referem o Tejo (que, não esqueçamos, é, para o poeta, o termo vencido: o rio da aldeia era o que mais estimava o que, se nos ativéssemos às imagens como puras ilustrações, levaria a considerar que um qualquer riacho seria cenário mais pertinente), mas percebemos que o local é apenas um pretexto e que o verdadeiro cenário são letras, versos, material linguístico vário, pintado na zona (creio que se trata de uma iniciativa da Casa Fernando Pessoa). Numa espécie de metonímia, também há o rio da aldeia, a água dentro do copo. Música tem vantagens (é importante para alguns dos «efeitos especiais» com as letras) e desvantagens (parece empolar o texto, que se pretenderia bucólico, simples, de Caeiro). Pessoa Veja-se aqui autógrafos deste poema: http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item302/P51.html; http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item302/P53.html; http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item141/P5.html; http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item125/P1.html Duração 2:56

Guilherme

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««À Noite» (Fernando Pessoa)
http://arquivopessoa.net/textos/256
Guilherme (16) Expressão oral O que a seguir direi sobre a concepção (como o acompanhamento ao piano acaba por condicionar ritmo e velocidade da leitura) é relevante para se poder a aferir a leitura. Não há erros de pronúncia, nem entoações incorrectas. Normalmente, diria que a leitura foi demasiado pausada e neutra, mas é verdade que é o próprio dispositivo — com a música a marcar a entrada dos versos — que leva a que assim seja. O efeito é bom e, no entanto, o poema como que fica escondido, fechado num ritmo que não é o seu. Para-se no final de cada verso, porque a combinação com a música assim estabelece, o que provoca espaços que gramaticalmente seriam errados. Existem essas pausas indevidas entre versos em «Que vislumbre escondido de melhores / dias ou horas no teu campo cabe?» e em «a tanta ânsia par / Do sonho», sobretudo (também em «dessedentar / O vago mundo»; em «a dar / a tanta dor»). Concepção Leitura do poema é acompanhada por música ao piano. A melodia articula-se com a declamação (e esta com aquela): por exemplo, obriga a que leitura do soneto decorra com certa demora, talvez mesmo contra a natureza do texto, na medida em que se quase se perde o eco das rimas. Embora não sendo a parte musical da responsabilidade directa do autor, cabe-lhe o mérito da idealização deste formato — que, simples, resulta bem, acentuando a gravidade do texto. Enfim, é um formato com bom gosto mas que talvez não valorize o poema; e, sobretudo, torna o exercício da leitura em voz alta de difícil avaliação. Duração 1:47

Filipa

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«A espantosa realidade das coisas» (Alberto Caeiro)
http://arquivopessoa.net/textos/3364
Filipa (18,5) Expressão oral Muito boa leitura. Faria só duas sugestões: tentaria estilo ligeiramente mais murmurado, em leitura de quem conversa, ou de quem está a pensar em voz alta consigo mesmo, mais do que de quem declama; talvez não usasse música, porque me pareceu que esta acaba por fazer parecer mais veloz (menos coloquial também) o texto que é dito. Concepção O pano de fundo visual é o próprio acto de escrever (vai-se vendo surgir o texto à medida que os versos se vão ouvindo), relativamente ao qual a paisagem funciona como palimpsesto (texto prévio sobre que ale se inscreve). (Há mesmo em certo momento, salvo erro, dois níveis de transparência, «palimpsésticos» ou de marca de água: livro, mão que escreve, paisagem.) Depois da leitura em voz alta do poema de Caeiro, e quase exactamente a meio do filme, segue-se a leitura de poema escrito pela autora (ou, melhor, a continuação do poema de Pessoa). Tudo isto funciona como um segundo nível narrativo, encaixado a pretexto de porta que, no início, se abre e, no final, se fecha. Escrita Esta conclusão do poema de Caeiro está muito bem redigida, nem se notando que não é de Caeiro (eu descobri-lo-ia talvez por causa de um «como se de um sopro se tratasse», que me parece mais do nosso jargão culto corrente actual do que esperável num escrito de Alberto Caeiro). Duração 2:46

Dulce

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«Dizem que em cada coisa uma coisa oculta mora» (Alberto Caeiro)
http://arquivopessoa.net/textos/2659
Dulce (17,65) A leitura em voz alta é muito boa, sem falhas gramaticais (por exemplo, eventuais entoações em contradição com a sintaxe do texto ou pronúncias erradas). Escolheu-se definir bem as frases, em vez de se apostar num estilo mais hesitante, mais coloquial, o que também era defensável. De qualquer modo, o registo mais neutro tem as suas vantagens (a nossa atenção centra-se nas próprias palavras do poema; evita-se o risco, que acontece a tantos actores quando declamam, de se sobrepor ao texto uma interpretação discutível). Concepção A autora escreveu uma série de respostas, acrescentos, derivações, que se vão intercalando no poema de Caeiro. Esses acrescentos surgem como melhor explicitação do que o poeta nos diz, em corpo-a-corpo com o texto de Pessoa, mas assumindo, creio, o mesmo registo (enfim, julgo que se pretende também que os trechos intercalados não sejam dissonantes do resto, portanto que não sejam reconhecíveis como intrusos). Servem de pano de fundo imagens do filme — adaptado de um livro que, por sua vez, conta uma história verídica — Into the Wild [Na natureza selvagem] (sobre este filme escreveu, em 2007/8, a Joana O., do 12.º 2.ª: ver aqui, lá para o final: http://gavetadenuvens.blogspot.com/2007/09/texto-2.html ); a escolha das imagens tem que ver também com o facto de haver relação entre os temas do poema e do filme, como se explica num dos últimos slides (quanto a mim, foi boa opção ter-se recolhido imagens de uma única obra, em vez de se preencher o filme com imagens avulsas). Escrita As partes acrescentadas por Dulce aproximam-se bastante bem do tom de Alberto Caeiro. Há muitos versos que o poeta podia perfeitamente subscrever — e que um especialista não arriscaria não serem de Caeiro. A ideologia caeiriana e a retórica (de oxímoros, paradoxos, etc.) vê-se terem sido bem interiorizadas. É claro que há umas poucas expressões (em geral, demasiado actuais, quase em moda) que traem a absoluta identidade com Pessoa (Caeiro): «o nosso mais profundo ser», «um eu», «descontrolas-te», «chegam ao rubro» (é claramente da linguagem corrente-embora-poética actual), «espontâneo em exprimir» (preferível: «espontâneo ao exprimir»), «por completo» (Caeiro diria «completamente»), «tal coisa» (este determinante é muito «à redacção escolar», embora também não fosse inesperado em Caeiro — afinal, há muito em Caeiro que é um tanto formatado, semelhante a exercício de criança). Pessoa Autógrafo: http://purl.pt/1000/1/alberto-caeiro/obras/bn-acpc-e-e3/bn-acpc-e-e3_item60/P1.html Duração 4:22

Ana

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«Olhando o mar, sonho sem ter de quê» (Fernando Pessoa)
http://arquivopessoa.net/textos/222
Ana (16,5) Expressão oral Boa leitura (só talvez aconselhasse a que se fosse a menor velocidade, até porque se adivinha a tendência, tão lisboeta, de colar demasiado as palavras, as sílabas, umas às outras). Encontrei apenas estes lapsos: no v. 5 do poema de Pessoa, é «erramos» (presente) e não «errámos» (pretérito perf.); no v. 12, terá sido acrescentado um «pouco» que não vejo nas edições do texto de Pessoa: «Mas do que há [pouco] ou não há o mesmo resta». O verso «Se tive amores, já não sei se os tive» parece demasiado «Se tive amor, já não sei se o estive». Concepção O texto de Fernando Pessoa fica entre textos da autora, antes e depois do poema, ambos de teor dissertativo, mas de assunto com alguns traços comuns à poesia de Pessoa. De tal modo, que a chegada da poesia não é sentida como mudança abrupta, é reconhecível paulatinamente. As imagens representam vivências prazenteiras, em ambientes distantes dos de Pessoa, mas próximos talvez das sensações que aqueles queriam traduzir. Escrita Boa, não havendo falhas de sintaxe. Legenda traz «Ibísfilme», o que, é claro, é erro (tire-se o acento). Duração 2:47

Carolina

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«Ai, Margarida» (Álvaro de Campos)
http://arquivopessoa.net/textos/3537
«Segue o teu destino» (Ricardo Reis)
http://arquivopessoa.net/textos/602
Carolina (17,85) Expressão oral Muito bem em ambos os textos. Na primeira parte, dedicada a «Ai, Margarida», há representação – na verdade, dupla representação, já que a autora faz de duas personagens. Realce-se ainda os cuidados na caracterização das duas personagens (indumentárias, adereços, etc.). No segundo texto, a leitura em voz alta (agora, apenas expressiva, num estilo bastante sóbrio) continua a ser muito boa. Concepção Há formatos diferentes para o poema de Campos e para a ode de Reis. Já se explicou que, no primeiro caso, aproveitando-se o que havia de narrativo no epigrama, adaptou-se o poema a uma cena (com as personagens «bêbado» e «Margarida», por que se desdobra Carolina). Para «Segue o teu destino», a opção foi fazer leitura (em off), sendo a imagem a de uma deusa, creio. Este fundo, que não é muito mais do que uma imagem (com efeito semelhante ao de imagem fixa), será talvez uma solução pouco ambiciosa. Escrita Na legenda final, falta, sob o primeiro verso do texto, a indicação «Ricardo Reis» (mas foi a própria autora que se me antecipou a adverti-lo). Duração 2:22

Tiago & André

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«D. Dinis» (Fernando Pessoa, Mensagem)
http://arquivopessoa.net/textos/1292
«D. Afonso Henriques» (Fernando Pessoa, Mensagem)
http://arquivopessoa.net/textos/1289
Tiago & André (16,7) Expressão oral O formato escolhido deixa-me um pouco desarmado. Como se trata de representar a leitura em voz alta feita por dois alunos no contexto de uma turma, podemos hesitar sobre se as leituras que fazem Tiago e André devem ser avaliadas em si mesmas ou pela forma como imitam as leituras de alunos (ou seja, em termos de representação). Direi que o ideal era que, durante o espaço de tempo da leitura dos textos, os dois actores tivessem esquecido o lado paródico e feito aí a melhor leitura possível. Se esse foi o seu objectivo, tenho a criticar estas falhas: André «múrmuro» é esdrúxula (leste como a forma verbal «murmuro»); «como um trigo /De império» não pode ter pausa, apesar da mudança de verso; Tiago: «a vigília» (em vez de «à vigília»; mas todo o verso 2 correu mal). Mas considero que foram leituras aceitáveis (Um outro reparo: pedira que não se evitassem os poemas que estivessem no manual – sim, podem dizer, que, para o efeito que pretendiam, convinha mesmo que os textos pertencessem ao grupo dos do manual…). Concepção Faz-se paródia de uma situação estranhíssima, decerto fictícia: pelos vistos, os autores conhecem professores que comem durante as aulas! (Onde já se viu isso?! Digam-me, por favor, quem é o bruto que procede assim, adentro das paredes mil vezes santas da Escola José Gomes Ferreira.) Dentro deste quadro, vai surgir o pretexto para a leitura dos dois poemas de Pessoa. Brinca-se então com um momento de aula em que, alegadamente, se misturariam campeonatos de futebol com matérias importantíssimas (prodigiosa a imaginação destes autores: como puderam eles conceber essa estranha, indigna, Liga dos Campeões?!) Escrita Falta falar do aspecto mais importante, que, como está bem trabalhado, quase parece fácil ou até ausente. É que foi preciso escrever o sketch, planificar a encenação, decerto prever várias dificuldades. Em tudo isso o filme revela que os seus autores têm boas capacidades, excelente criatividade, que aliás já lhes conhecíamos (em formato semelhante, Tiago, fizera sketch para publifilme; André, uma paródia sonora a programas de rádio escolares). Parabéns ao irmão do Tiago, que volta a revelar grandes qualidades teatrais. Consegue ser mais natural do que eu (aliás, do que esse energúmeno que eu nem acredito que exista). Duração 2:04

Bárbara & Júlia

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«Acaso» (Álvaro de Campos)
http://arquivopessoa.net/textos/2364
Bárbara & Júlia (17,2) Expressão oral Não se trata de aferir a leitura em voz alta de poemas, mas a representação (ou leitura dramatizada) de diálogos em que trechos de poesia foram aproveitados. Essa dramatização parece-me, em geral, bastante boa (por um lado, verosímil; por outro, clara e correcta na dicção). Há mais fluidez – menos hesitações – de Bárbara do que de Júlia; também em termos de expressividade e de fidelidade à entoação Bárbara esteve bastante bem, enquanto que Júlia terá estado apenas bem. Lapsos: «na visão» (por «da visão»); «? [cruzamento de «adolescente» + «transeunte»]» (por «transeunte»), no primeiro verso da penúltima estrofe); no último verso, foi acrescentado um «afinal» (não sei se propositadamente). Concepção O texto de Pessoa – Campos – é adaptado a diálogo telefónico, cabendo a cada autora um dos turnos. Foi excelente ideia. Não só o modo muda, de lírico para conversacional, como se altera o registo, o enquadramento temporal: temos duas amigas, do século XXI, a coscuvilharem. As falas ex-pessoanas são, no final, interrompidas por um apelo saído do plano da enunciação («Júlia!»), que vem quase-desconstruir o diálogo anterior (o que, de certo modo, torna aceitáveis as ligeiras falhas técnicas que referirei a seguir: as mudanças de turno ficam demasiado marcadas por o que julgo ser a ligação do microfone; ouve-se um «podes» e uma outra ordem da realização que eram para ficar apagadas na montagem). Pessoa Eu pedira que se evitassem textos do manual (e este está na p. 188), mas já não me lembro se me foi anunciada esta escolha e acaso eu a aceitei. Duração 2:09

Mafalda

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«Dá-me as mãos por brincadeira» (Fernando Pessoa)
http://arquivopessoa.net/textos/1153
Mafalda (15,6) Expressão oral Muito perfeita a leitura do poema. Não detecto erros (de pontuações, entoação ou pronúncia) e considero bastante adequado o estilo de expressividade (tenho só dúvidas se não poderia haver um tom mais ligeiro, quase brincalhão, aqui e ali; mas estou de acordo com não ser este poema propriamente leve, como podia parecer – esta confusão é fácil de acontecer no Pessoa popular que não é nada popular). Concepção Escolheu-se um formato minimal: apenas a leitura do poema (é certo, repito, boa leitura). Duração 1:14

Diogo & João M.

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[Fragmentos vários] (Alberto Caeiro)
http://arquivopessoa.net/textos/2718
http://arquivopessoa.net/textos/379
http://arquivopessoa.net/textos/384
http://arquivopessoa.net/textos/2725
http://arquivopessoa.net/textos/391
http://arquivopessoa.net/textos/374
http://arquivopessoa.net/textos/369
[por uma dificuldade técnica – a resolver mais tarde – a versão deste filme que damos em cima não é a completa]
Diogo & João M. (16,2) Expressão oral Houve decerto treino consciencioso, porque, não sendo habitualmente a leitura em voz alta a melhor área de qualquer dos autores, ainda assim ouvimos com gosto os vários fragmentos de poesia de Caeiro que lhes couberam. Não encontro falhas substantivas na leitura. As poucas hesitações que notei foram, por João, no texto «Deito-me ao comprido na erva»; e, em «Patriota? Não: só português», o v. 2 deve ser lido sem pausa («Nasci português como nasci louro e de olhos azuis»). As restantes leituras de João e todas as de Diogo estão sem falhas. É de notar o tratamento técnico dado ao som, que torna a audição mais agradável. Concepção As imagens são retratos de Pessoa, que, por habilidades técnicas, nos aparecem com bastante movimento, vindos de placard (verdadeiro ou virtual?) e, sobretudo, no ritmo adequado ao que se vai ouvindo. A aparente simplicidade do resultado final deve-se a um domínio apurado dos meios. Pessoa Deve ter-se em conta que estes textos são não-textos, fragmentos soltos que deveriam integrar texto maior (não tendo sido possível perceber a que texto pertenceriam). Até certo ponto isso facilitou a leitura, dado tratar-se de frases pouco complexas (no entanto, o texto «Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua» é bastante extenso e também aí estiveram bem o Diogo e o João). Escrita Em vez de «ibis filme», seria «ibisfilme» («íbis», enquanto palavra solta, teria acento). Duração 4:32 [no filme em formato que não se pode aqui arquivar; mas parte com leitura termina aos 3:50]; 2:15 [nesta versão]

João B.

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«Opiário» (Álvaro de Campos)
http://arquivopessoa.net/textos/2456
João Baila (15,4) Expressão oral Houve a noção da expressividade necessária a Campos (as mudanças de ritmo, o estilo entre o coloquial e o eufórico) e conseguiu-se bem esse registo. Talvez se pudesse ainda ser mais teatral, de modo a reflectir a complexidade, torrencial, da psicologia de Campos, mas a leitura está já bastante boa. Dois erros: «lastejantes» (cruzamento de «rastejantes» e «latejantes»?) não existe: é «latejantes» que está em Campos; «abra as eclusas» não me parece bem pronunciado. Concepção O foco, em termos visuais, é pouco significativo (as chamas), mas essa falta de ambição em termos de imagem acaba por dar relevo à leitura expressiva. Em todo o caso, acho que o João tem capacidade para fazer, ou pela escrita ou pelas imagens ou sons, objecto mais original. Pessoa Note-se que o título do poema não tem artigo («Opiário»); é um texto da fase decadentista de Campos, e que aqui foi lido parcialmente apenas. Há sobre este texto um clip-animação do grupo WordSong (ver no final de http://gavetadenuvens.blogspot.com/2009/09/alvaro-de-campos.html; ou aqui: http://www.youtube.com/watch?v=tdoeehDtTS0 ). Duração 1:25

Joana

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«Amo o que vejo porque deixarei» (Ricardo Reis)
http://arquivopessoa.net/textos/1817
Joana (17,3) Expressão oral A representação não tinha dificuldades de maior. Como se assumiu colocar as frases de Reis numa situação pouco naturalista, não há demasiados constrangimentos à entoação ou à expressividade (ou seja, é grande a amplitude de estilos aceitáveis, porque o episódio criado não quer seguir o poema de Pessoa). É uma boa representação, mas é certo que se pode dizer que dificilmente poderia dizer-se ser uma má representação. Concepção Mais do que uma dramatização do poema de Reis, assistimos a uma sua transposição para um contexto inesperado. O resultado é uma peça onírica, surrealista. A representação sobreleva o próprio texto pessoano: não há interpretação da poesia de Reis, mas a convocação de frases para efeitos de um drama bastante autónomo, criado por Joana. Essa criação está bem concebida, é criativa, visualmente apelativa, bem realizada, embora seja dificilmente descodificável. Escrita/Pessoa O início da cena inclui um verso («em breve de o ter») que é uma variante, inventada, do início do poema («qualquer dia de o ver») que depois se retomará. O verso «Amo-o também porque é» creio que não chega a aparecer na redacção de Joana. Duração 4:04

Beatriz & Catarina

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Luís de Camões, Os Lusíadas:
Canto I, 6 e 18; canto X, 139, 155-156
Fernando Pessoa, Mensagem:
«D. Sebastião, Rei de Portugal»
http://arquivopessoa.net/textos/187
«A última nau»
http://arquivopessoa.net/textos/87
«D. Sebastião»
http://arquivopessoa.net/textos/95
«O Quinto Império»
http://arquivopessoa.net/textos/96
Beatriz & Catarina (16,3) Expressão oral Em geral são bastante boas as leituras, apenas com os lapsos que dou a seguir, o que é realmente pouco, dado tratar-se de textos difíceis (sobretudo os de Os Lusíadas, mas até as partes de Mensagem que estavam em causa). Na estância 6 do canto I, «antigua» lê-se «antiga»; em «D. Sebastião, Rei de Portugal», na segunda estrofe, há que ler de seguida «Sem a loucura que é o homem / Mais que a besta sadia» (sem se fazer pausa na mudança de versos); a pronúncia de «sadia» é «s[a]dia» com «a» aberto, não [α], apesar de a palavra ser grave (é que, por vezes, as vogais antes da tónica conservam o timbre aberto: «Aveiro», «padeiro», «sadio» são exemplos em que a abertura da vogal se deve ao facto de esta ser aí o resultado de contracções antigas: alavariu, panatariu, etc.; em «A última nau» devia ser «[e]rma» (= ê) e não «[ε]rma» (= é), como lê Beatriz – nesta pronúncia errada também incorre Catarina, ao ler «O Quinto Império»; em «O Quinto Império», no primeiro verso da quarta quintilha, deve ler-se sem pausas «E assim passados os quatro tempos» (assim não é aqui um marcador causal – ‘por isso’ – mas um advérbio que qualifica «passados»); na última estrofe dos Lusíadas, Catarina diz quase «tru[n]dante». Concepção O foco é sempre D. Sebastião, quer em passos dos Lusíadas, quer nos poemas que lhe são dedicados em Mensagem. Surgem alguns slides mais ensaísticos, que vão referindo dados históricos (discutível um, logo no início, em que se associa D. Sebastião à expulsão dos mouros). Tratava-se de projecto ambicioso, que implicou leituras difíceis e bastante extensão (com a contrapartida de também haver muito tempo para preencher em termos visuais). Valeu a pena abalançarem-se a esta tarefa – até porque o corpo-a-corpo Camões/Pessoa nos é útil, e fá-lo-emos bastante neste segundo período ainda - mas não tenho grandes dúvidas de que poderiam, num estilo menos literário, aproveitar mais as vossas capacidades criativas. Escrita «Alcácer» terá de ser com maiúscula. O primeiro nome de Chopin estará mal escrito (enfim, não sei como seria em polaco, mas costuma adoptar-se grafia românica: Frederico ou, sobretudo, Frédéric, à francesa, pois foi a França que o acolheu). Referências bibliográficas nos slides podiam ser mais completas (canto e estância, como fiz em cima). Duração 5:20

Pedro

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