Sunday, September 16, 2012

Aulas (2.º período)


Aula 51-52 (3/jan) [esta aula é privativa das turmas 1, 4, 6] Explicações sobre trabalho de gravações acerca de livros lidos (prazo finalíssimo; pronúncias estrangeiras; «romance»); anúncio do calendário do 2.º período.

Caracterização de personagens direta (auto e heterocaraterização) e indireta, num passo de episódio de Bruno Aleixo (e entrevista com Ana Bacalhau).



Síntese de «Um ano sem operações», crónica de Miguel Esteves Cardoso saída no dia 31-12-2012, e criação de crónica própria semelhante [turma 4]. // Após leitura de «Os potentinhos portugueses» (p. 129), de Miguel Esteves Cardoso, comentário articulador deste texto e dos tipos de peixes repreendidos por Vieira no cap. V do «Sermão de Santo António» [turmas 1 & 6] — cfr. aula 45-46 das outras turmas.


O texto reproduzido em cima é a crónica de Miguel Esteves Cardoso saída no Público de 31-12-2012, na sua habitual coluna (‘Ainda ontem’). Para se perceber o título, é necessário sabermos que a mulher do autor tem estado doente, com um cancro. (Por vezes, nesta mesma coluna, MEC tem partilhado com os leitores as tristezas, ou as breves alegrias, que a evolução da doença de Maria João — antiga locutora da SIC — lhe vai trazendo).

Começa por escrever uma síntese da crónica (lembro-te que uma síntese não se confunde com um resumo e que, nada sendo dito em outro sentido, podemos presumir que a extensão da síntese será de cerca de um terço do original (umas setenta-oitenta palavras, portanto).

............................

............................

Escreve uma crónica igualmente alusiva à entrada no novo ano. Podes partir do princípio de que eras convidado a escrever, na mesma coluna, a crónica de 31-12-2012 ou, o que vai dar no mesmo, a de 1-1-2013.

O texto terá título, é claro, e a extensão, como também é natural, deverá ser idêntica (um pouco mais de duzentas palavras).

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TPC — Relanceia programas de televisão sobre o «Sermão de Santo António» e o Padre António Vieira (que pus no blogue). (Não esqueças também de ir pondo à mão — e de ir começando — Os Maias.) E, se não fizeste ainda a gravação sobre livros lidos, trata disso sem falta até 14/15 de janeiro.


 

Aula 53-54 (7, 8/jan) O capítulo VI do «Sermão» (pp. 130-131) corresponde à peroração, a última parte de um discurso. Vai lendo o texto e preenchendo o que falta no quadro.













 


linhas

expressão no «Sermão»

expressão equi-valente ou que usaríamos hoje

comentário

l

despido

____

O Padre Vieira usa a forma verbal mais antiga da 1.ª pessoa do Presente do Indicativo de «despedir», mas a forma que usamos atualmente resulta de analogia com as de outros verbos (cfr. «posso», «meço», «peço»).

2

vades

____

É esta a forma da 2.ª pessoa do plural do Presente do Conjuntivo de «ir»; no entanto, se tivermos em conta que se usaria agora a 3.ª pessoa do plural (porque o tratamento seria «vocês» e não «vós»), a forma comum seria «_____».

2

outro

outro sermão

Lembremos que o Padre Vieira ia partir para Portugal (aliás, em parte, para defesa dos índios), pelo que aquele seria, durante tempo, o último sermão que lhe ouviriam os _____.

3

mui

____

O advérbio «mui» resulta de uma _____ (supressão do som final — cfr. p. 325) de «muito» (como «São» resulta de apócope de «Santo»).

3

ficastes

____

É esta a 2.ª pessoa do plural do Pretérito Perfeito, embora, como quase já não usemos esta pessoa, a forma nos pareça incorreta (se tivéssemos em conta que usaríamos hoje a 3.ª pessoa do plural — «vocês, peixes» —, teríamos a forma «_____»).

8

habitadores

____

Os peixes são os habitantes do elemento que é matéria do primeiro sacramento (cfr. infra), a água.

9

primeiro sacramento

batismo

Os sete sacramentos são Batismo, Confirmação, Comunhão, Penitência, Extrema unção, Ordem, Matrimónio (a matéria do Batismo é a _____).

13

pregara

____

Até tarde o Pretérito Mais-que-perfeito serviu em casos em que hoje temos de usar o Imperfeito do Conjuntivo.

13

Oh

____

É a interjeição (não é a expressão que se apõe a um vocativo), mas, hoje, usaríamos a seguir uma vírgula ou um ponto de _____.

22

alvedrio

____

Hoje, preferiríamos a outra palavra do par de divergentes resultantes do lat. arbitrium (a palavra que hoje mais usamos é a que nos chegou por via erudita; a palavra usada por Vieira é a da chamada «via _____»).

31-32

de um homem que tinha as mes-mas obrigações

de __

Este apóstolo tinha as mesmas obrigações de Vieira e traiu-as (por isso Vieira diz correr também esse risco).

30

do seu divino acatamento

de __

«Acatamento» é a presença ou vista de pessoa divina a quem se deve reverência.

38

tanto

____

«Tão» deve ser a forma reduzida (apocopada) de «tanto». Antes de adjetivos é essa a forma do advérbio (não se confunda o advérbio «tão/tanto» com o quantificador «tanto(s)», «tanta(s)»).

41

um elemento tão largo e tão puro

a ___

O elemento onde vivem os peixes.

42

aqueles que convosco e de vós viviam

os apóstolos Tiago, João, Simão e André

Estes apóstolos eram ____ e, por isso, mais especialmente se relacionavam com peixes.

 

Resolve o exercício 1 (e 1.1) da p. 131:

a. __; b. __; c. __; d. __; e. __; f. __; g. __; h. __

 

Terminado o sermão, os peixes — vamos supor que eram eles a assistência (ou que também tinham ouvido o sermão) —, fazem sair um comunicado (entre pp. 36-41, estuda-se este tipo de texto, que já demos). Escreve esse comunicado. (O registo e a estrutura serão os apropriados a comunicados. O que se abordará fará alguma alusão ao sermão proferido pelo Padre António Vieira. De resto, há imensa margem de manobra.)

TPCRelanceia programas de televisão sobre o «Sermão de Santo António» e o Padre António Vieira que pus no blogue. (Não esquecer também de ir tendo à mão — e de começar a ler — Os Maias.) E, se não fizeste ainda a gravação, trata disso sem falta até 14 (15) de janeiro.


 

Aula 55-56 (9, 10/jan) Lê a crónica «Seja responsável, reclame!» (p. 29), que servirá de introdução a um tipo de texto que nos faltava estudar, a reclamação.

Sem me inquirires sobre o seu significado, em cada item que se segue circunda uma das hipóteses à direita, a que tenha o valor mais aproximado da expressão usada no texto (a a negro e à esquerda). Para averiguares da bondade de cada opção, podes experimentá-la, em substituição da original, no mesmo exato contexto.

 

volta em vez (linha 1) — de novo em volta / em revolta / aqui e ali / sempre

ínvias (l. 4) — óbvias / inúmeras / inacessíveis / invejosas

de cidadania (6) — civil /citadino / patriótico / jurídico

fora de regra (8) — irregular / estrangeiro / normal / regulamentar

chegue ao conhecimento de (8-9) — saiba / conheça /seja comunicado a / diga a

tutelares (9-10) — de tutor / titulares / de tutela / de tutoria.

vertente (14) — cume / em apreço / que verte / ultrapassado

incidentes (20-21) — casos / tipos /acessórios / acidentes

assentada (22) — assente / vez / sentada / perpécia

alinhavado (26) — esboçado / passado a limpo / escondido / planeado

patéticos (32) — patetas / dramáticos / parvos / malucos

represálias (37) — retaliações / algálias / repreensões / críticas

pairam em fundo (39) — pastam / ficam subentendidas / ficam ao fundo / são referidas

O não hábito de reclamar (43) — Não nos habituarmos a reclamar / Não se reclamar / O mau hábito de reclamar / O hábito de não reclamar

propicia (44) — dificulta / prejudica / facilita / melhora

representação (45) — imagem / petição / delegação / sabedoria

nos círculos em que nos movemos (49) — em família / entre nós / nas altas esferas / em casa

um dos objetivos estratégicos (53) — uma das táticas / uma das metas / uma das estratégias / uma das vitórias

suficientemente generalistas (60-61) — pouco abstratas / vagas / cruas / concretas

reclamantes habituais (67) — poucos que reclamam / mais interesseiros / revoltados / cocós

 

Lê o texto expositivo «Um livro de reclamações em em cada canto» (p. 33).

 

            Na p. 34, resolve os pontos 1.1, 3, 4 (de «Leitura e Compreensão»):

1.1 ________________

3. (e 3.1) ____________

4. _________________

 

Na mesma p. 34 (e na p. 35), resolve o ponto 1.1, de «Escrita». (Nota que, em qualquer um dos formulários de livros de reclamações — e só escolherás um —, a parte Motivo de reclamação está representada numa única linha, ainda que, na prática, em texto, corresponda decerto a bastante mais.)

..................

..................

Nas pp. 30-31 trata-se da carta de reclamação (à esquerda, as regras desse tipo textual; à direita, um exemplo de reclamação, a propósito de telemóvel estragado).

A caneta, por favor, escreve uma carta de reclamação dirigida ao astrólogo/professor/médium/vidente cujo cartão publicitário te tenha calhado. O formato da reclamação deve inspirar-se no da p. 31. Quanto à situação que teria desencadeado a reclamação, cabe-te imaginá-la. O remetente não tem de se identificar contigo.

................

...............

TPC — Mantém-se o tepecê da última aula.


 

Aula 57-58 (14, 15/jan) Explicação sobre «canto» e «canto» (homónimas, convergentes; divergentes; sincronia, diacronia).














Correção do questionário de compreensão.

Depois de relanceares o enquadrado «Texto argumentativo» (p. 94), e de ouvirmos dois trechos de episódios da segunda temporada do Programa do Aleixo, completa.



No episódio 1 é discutida a tese «_____». Nesse «Debate Tipo Prós & Contras», a referida tese é ___ por uns (Busto, Nélson) e refutada por outros (Renato, Bussaco, Bruno).

Os «argumentos» — na verdade, não se trata de argumentos bem formulados mas podemos reconstituir as premissas em que se fundariam — em apoio ou em prejuízo da ____ (ou mesmo um pouco à margem daquela precisa discussão) podem exemplificar a tipologia apresentada em «Alguns tipos de argumentos» (a meio da p. 94):

 

{Completa com dedutivo / indutivo / por analogia / de autoridade}

 


Faço na mata porque o chichi também é natureza (Bussaco)

Argumento _______

Faço no duche porque uma vez saí do banho para fazer chichi e, quando voltei para o banho, já não havia água. (Nélson)

Argumento _______

Não havia água, porque puxaste o autoclismo. (Renato)

Argumento indutivo

Se não puxasse, ficava a casa de banho a cheirar a chichi. (Nélson)

Argumento dedutivo

Se se fizer chichi no banho, poupam-se descargas de autoclismo. (Busto)

Argumento _______

Ao contrário da água dos autoclismos, que vai para o mar, a do duche volta a ser distribuída; por isso, se se fizer chichi no duche, beberemos a nossa própria urina. (Bruno)

Argumento _______, assente em premissa falsa

A água com detergente das casas de banho vai para a piscina, porque a piscina tem um cheiro característico e é azul, e a água com detergente tem um cheiro característico e é azul. (Nélson)

Argumento _______

 



No episódio 3, Renato alega que «uma vez, um homem morreu depois de ter bebido por latas com urina de rato», o que constitui um argumento _____ (se isso aconteceu uma vez, é de prever que aconteça assim mais vezes).

Falta-nos um exemplo de argumento de autoridade, mas podíamos inventá-lo: {sobre a tese ‘Beber diretamente da lata é perigoso’}: «______».

 

Finalmente, vejamos se as características do registo linguístico eram as do texto argumentativo. Surgiam _______ de causa-consequência («porque», «por isso», «e assim», «se»), contrastivos («mas»), confirmativos («pois é», «claro que é»). O verbo predominante no enunciado da ______ era, com efeito, «ser» (e, salvo erro, também o deôntico «dever»). Ouvimos também verbos declarativos ou que poderiam introduzir atos ilocutórios _______ («eu assumo que», «quero acreditar que», «acho que»). E é verdade que o tempo mais usado era o ______ do indicativo.

 

Na p. 95, vai lendo «O poder é da palavra». A reprodução desse texto expositivo/reportagem está abreviada, havendo dez cortes («[...]») relativamente ao original.

Acrescenta texto nessas lacunas, de maneira a que tudo fique gramatical, coerente com texto anterior e posterior, verosímil, em registo semelhante ao do resto do artigo. Nos casos em que não haja pontuação imediatamente antes de «[...]», podes criá-la ou prosseguir como se não houvesse nenhum sinal. A pontuação à direita de «[...]» tem de ser mantida. No texto correspondente ao próprio «[...]» és soberano, inclusivé, é claro, quanto à pontuação interna. A extensão, em média, será de duas ou três linhas por «[...]».

 


linha

palavra anterior

[...] (a trocar por texto)

16

enormes”

 

 

 

25

Morgado

 

 

 

31

rigoroso”

 

 

 

34

portugueses

 

 

 

37

‘vinculativas’.

 

 

 

40

E tem.”

 

 

 

45

Sampaio

 

 

 

51

racionalidade).

 

 

 

52

clássicos

 

 

 

56

emocionalmente).

 

 

 

 

TPCAproveitando o facto de ainda não ter devolvido esses trabalhos, quem não o fez em tempo podia ainda tentar escrever o «Alfabeto sobre ‘Sermão de Santo António aos Peixes’ e o Padre Vieira».


 

Aula 59-60 (16, 17/jan) [Quadro com pronomes pessoais do Caderno de Apoio ao Estudo, Expressões 11, copiado em Gaveta de Nuvens também:]

 

Na tabela que se segue estão pronomes pessoais encontráveis em «Encosta-te a mim» (p. 199). Tendo o cuidado de ir verificar o contexto em que aparecem os pronomes na letra da canção, escreve a função sintática de cada um. (Não te limites a procurar no quadro em cima; tenta mesmo compreender a função do pronome nas frases em causa.)

 


verso

pronome

função sintática

comentário que pode ajudar na decisão quanto à função desempenhada

1

te

 

Na 3.ª pessoa seria «ele encosta-se».

1

mim

 

Era possível trocar por «encosta-te-me».

2

Nós

 

 

4

eu

 

 

7

eu

 

 

8

me

 

O pronome da 3.ª pessoa não seria «*deixa-lhe» mas «deixa-o».

11

te

 

Na 3." pessoa seria «para o merecer».

12

me

 

Na 3.ª pessoa não seria «*recebe-lhe».

14

mim

 

 

16

eu

 

 

17

contigo

 

 

20

te

 

Há duas interpretações possíveis: 'quero a ti bem' (= 'desejo a ti o melhor') e 'quero-te muito' (= 'desejo-te muito').

23

mim

 

 

26

Eu

sujeito

 

 



 

Vai até às pp. 134-135. Responde — com o bom acabamento que supõe um questionário deste tipo — às perguntas que selecionei do grupo I da ficha formativa sobre «Com aquele seu capelo». Algumas das respostas estão começadas por mim, mas deves sempre ler a respetiva pergunta no manual.

 

1.         O texto apresentado integra-se no capítulo ____ do «Sermão de ______», quando o orador trata de ______ os peixes, em particular. O «peixe» criticado é o _____. Se considerarmos a estrutura típica dos sermões, este passo situa-se já perto do final da _________ (ou confirmação), seguindo-se-lhe o capítulo VI, que constitui a peroração. {Para se conhecer a estrutura do sermão, veja-se o verbete de enciclopédia na p. 101}

2.1       Primeira parte, ll. 1-3 (primeira frase); segunda parte — ll. 3-14; terceira parte — ll. 15-21.

2.2.      [Em vez de sugerires um título e dares as razões da escolha, escreve só três títulos mas especialmente expressivos.]

Primeira parte: ________

Segunda parte: ________

Terceira parte: ________

3.1       [Há três expressões que poderiam ser escolhidas: A primeira salienta a aparência de santidade do molusco: «com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge» (l. 3); a segunda comparação é estabelecida com uma estrela e, decerto, com a sua luminosidade: «com aqueles raios estendidos, parece uma estrela» (ll. 3-4). A terceira comparação vinca a aparência inofensiva do polvo: «com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão» (ll. 4-5). Estes atributos tão lisonjeiros ligados à aparência contrastam com a realidade, a dissimulação de que é capaz o polvo: «é o maior traidor do mar»).]

4.1       __________

4.2       __________

5.1       __________

6.         Apóstrofe — «peixe aleivoso e vil» (l. 20). Esta apóstrofe, com uma dupla adjetivação de conotação negativa, revela ____.

6.1       _________.

7.         As interrogações retóricas (ll. __ e __) visam atrair a atenção dos ouvintes. Como momentos de pausa na progressão do sermão, chamam o auditório a uma reflexão, preparando, desta forma, a argumentação que se lhes segue.

10.       Podemos talvez considerar deíticos pessoais «_____» (l. 1), «saiamos» (l. 1), «vê» (1.20), «_____» (l. 20); e deíticos espaciais «saiamos» ou «_____» (l. 1). (Quanto a mim, estas expressões dificilmente evocam propriamente a enunciação — o orador reporta-se ao seu espaço ou está apenas a criar uma situação narrativa? — e não são bons exemplos de deixis.)

11.1      Proponho duas hipóteses (com «dever» e «poder»):

            Até Judas ___ não ter sido tão traidor como tu, polvo.

            Até Judas não ___ ter sido tão traidor quanto tu, polvo.

12.       {Pode ser útil a consulta da p. 325}

a.         A queda do -m de spinam consiste numa ____. O acrescento da vogal no início da palavra é uma _____. Houve ainda a _____ do n em nh.

b.         Como é costume deu-se a ____ do -m latino. A passagem do t a d configura uma ____.

c.         Como sempre, tudo começa com a _____ do -m. Deu-se depois o desaparecimento de um som medial (a ___ do -n-). Na passagem de -ea a -eia há uma ____.

d.         Apócope do ____. Síncope do ____. E, ainda, _____ do t em d.

 

TPC — Ir lendo Os Maias.


 

Aula 61-62 (21, 22/jan) Vamos retomar o que já víramos sobre as funções sintáticas internas ao grupo verbal (pp. 327-328), particularmente sobre a de complemento oblíquo.











Alguns critérios para distinguir funções sintáticas:

 

O complemento direto é substituível pelo pronome «o» («a», «os», «as»):

Dei um doce ao orangotango. = Dei-o ao orangotango.

 

O complemento indireto, que é introduzido pela preposição «a», é substituível por «lhe»:

Dei um doce ao orangotango. = Dei-lhe um doce.

                                             

O complemento oblíquo, e mesmo quando usa a preposição «a» (uma das várias que o podem acompanhar), nunca é substituível por «lhe»:

Assistiu ao julgamento do Coronel Jesuíno. *Assistiu-lhe.

 

Para identificarmos um modificador, podemos fazer a pergunta «O que fez [sujeito] + [modificador]?» e tudo soará gramatical:

A Florinda estudou gramática na segunda-feira.

Que fez a Florinda na segunda-feira? Estudou gramática.

 

Ao contrário, se se tratar de um complemento oblíquo, o resultado será agramatical:

O Acácio foi à Cova da Moura.

* Que fez o Acácio à Cova da Moura? Foi.

 

Reconhece-se o complemento agente da passiva com facilidade. Começa com a preposição «por» e podemos adotá-lo como sujeito da mesma frase na voz ativa:

Batatinha foi carregado por Miguel Lopes. Miguel Lopes carregou Batatinha

 

Completa com complemento direto, complemento indireto, complemento oblíquo, complemento agente da passiva, predicativo do sujeito, predicativo do complemento direto, modificador.

 


Moras em Cabul?

 

Os estores da minha casa foram estragados pela ventania.

 

Em Miranda do Douro come-se boa carne.

 

O Salvador é o último português sem telemóvel.

 

Comi anteontem uma costeleta de gato excelente.

 

O Alípio foi ali e já vem.

 

Iracema mentiu a Jesuíno.

 

Na livraria vendem carapaus.

 

Ontem passei por ela.

 

Regressaste da Líbia.

 

O Ulisses põe o livro na estante.

 

Os jornalistas consideraram Messi o melhor.

predicativo do complemento direto

 





Identifica as funções sintáticas (sujeito, predicado, complemento direto, etc.), na canção com que se inicia o filme Love actually (O amor acontece):

 


Sinto-o nos meus dedos,

Sinto-o nos meus pés,

O amor anda à minha volta,

O Natal está à minha volta,

E o sentimento cresce,

Está escrito no vento,

Está onde quer que vá.

Por isso, se gostam do Natal,

Deixem nevar.

o = ____ (cujo referente são os versos 4-7; trata-se, portanto de uma ____ {anáfora/catáfora}).

[eu] (subentendido) = ____

à minha volta = ____

à minha volta = ____

sentimento = ____

cresce = ____

escrito no vento = ____

está escrito no vento = ____

do Natal = ___

 





Uma parte do filme supracitado vai interessar-nos a propósito de uma espécie de caricatura do modo de ser português. É o que também aflora o texto de Ricardo Araújo Pereira, na p. 132. Lê o texto completo e, só depois, completa a minha síntese-comentário.

 

O título da _____ {género jornalístico} de Ricardo Araújo Pereira, «Este país não é para corruptos», faz alusão a um filme, Este país não é para ____. No entanto, o filme trata de um negócio que falha, enquanto que o suborno pensado por ______ foi oferecido mesmo, ainda que se tenha depois concluído que não era passível de ______, tendo o arguido sido _______. Névoa não foi condenado porque, segundo o tribunal, o político que recebera o dinheiro não era a pessoa _____ para resolver o que o subornador pretendia. Podemos dizer que Névoa, além de desonesto, foi ______, mas o que é certo é que foi isso que o ilibou.

Ricardo Araújo Pereira traça depois uma analogia entre o disposto nesta _____ e casos hipotéticos de crimes graves cujo autor tivesse errado, sem querer, no exato _____ da malvadez. No último parágrafo, o cronista, pontuando o texto com figuras de estilo que visam a caricatura — ironia («_____ título»); paradoxo/antítese («ilegalidade ilegal» que é legal; trocadilhos com lugares comuns («não é corrupto quem quer», «isto não é corrupção que se apresente») —, acaba por se centrar na crítica que sempre pretendeu valorizar e que nem se foca tanto na corrupção, mas antes ______.

Quanto ao primeiro parágrafo, aproveita-se aí muito o conceito ______ do «Sermão de Santo António», «Vós sois o sal da terra». Como um dos elementos da metáfora, o sal, significa ‘conservação’, o autor experimenta trocá-lo por outros meios mais modernos de preservar os alimentos, a ______ ou a ______, porque, conforme alega, atualmente já se sabe que o sal provoca ______. Antes disso, considerara ser Portugal um país em salmoura (‘água com muito sal’), por não se manifestar cá nenhum resquício de _______. É esta assunção (irónica, já se vê) que, mais do que a intertextualidade com o filme, vem justificar o ______.







TPC — Continua a ler Os Maias. (No CRE, segundo o que pesquisei no catálogo, há uns cinco exemplares requisitáveis: a cota é 82P-3/QUE/MAI.)
 

Aula 63/64 (23, 24/jan) Escreve resumo do texto «Um homem e uma obra de paixões» (p. 139); síntese de «Ler Frei Luís de Sousa hoje» (p. 139); comentário-análise do anúncio do Teatro-Nacional D. Maria (p. 138).



No trecho do filme que vimos, as personagens secundárias (ou figurantes) portuguesas — não incluo Aurélia — são uma espécie de personagem coletiva, plana, ingenuamente caricaturada, talvez um estereótipo do português aos olhos dos estrangeiros. A caracterização desta «personagem» é, como é costume em cinema, indireta, já que decorre sobretudo das suas atitudes, da sua linguagem.

Inscreve no quadro os adjetivos qualificativos correspondentes à característica psicológica que os comportamento à direita sugerem.

 


portugueses são...

comportamentos no trecho de O amor acontece

interesseiros, oportunistas, materialistas

Veem o casamento da filha, ou irmã, como possibilidade de melhoria das condições materiais.

 

Barros vem abrir a porta em camisola interior; não hesita em confiar em desconhecido; chama a filha de imediato.

 

Barros diz a Sofia que até pagava para se desenvencilhar dela.

 

Sofia Barros trata o pai por «estúpido».

 

Pai e filha tentam resolver o pedido do estrangeiro.

 

Pai e filha vão pelas ruas a contar a todos o que se está passar.

 

«O meu pai vai vender a Aurélia como escrava!».

 

«É a minha melhor empregada. Não se pode casar!».

 

Assistem, sem desviar olhar, à declaração de amor; na rua não se coibiram de engrossar o pelotão da demanda de Aurélia.

 

Diz Sofia: «casa-te mas é com o príncipe William».

 

Não percebem as mais elementares palavras inglesas (por isso ficam calados durante o assentimento de Aurélia).

 

Barros e Sofia beijam genro e cunhado.

 

Todo o restaurante fica eufórico com o sucesso da declaração de amor.



TPC — Continua a ler Os Maias. Ir também estudando gramática.


 

Aula 65-66 (28, 29/jan) Lê «O romântico» (p. 140) e escreve respostas completas e bem revistas:










 

No 1.º parágrafo — o que aliás será depois confirmado ao longo do texto (e não deixa de ser corroborado também pelo título da obra em que este retrato se insere) —, percebemos que a atitude da escritora relativamente ao tipo, ao perfil, de que se vai ocupar é de ...

 

O sujeito de «Refere pessoas fora do seu tempo e consideradas utópicas» é ...

 

No 2.º parágrafo, há uma breve referência memorialística, ou mais confessional, quando a autora...

 

Aproveitando também os verbetes ao lado (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 2011), explica a intenção da autora nas linhas 9-15.

 

O antecedente do pronome anafórico «a» (l. 16) é...

 

No contexto em que está, «oração» (l. 16) pertence ao campo lexical de {circunda a melhor alínea}: a) ‘gramática’. | b) ‘discurso’. | c) ‘religião’. | d) ‘trabalho’.

 

O estereótipo desenhado ao longo do texto terá, aqui e ali, alguma correspondência nos pares amorosos de O amor acontece (Love actually), mas não será completamente concordante. Em síntese, aponta os possíveis identidade e contraste entre o «cromo» idealizado por Rita Ferro e, por exemplo, James/Aurélia....

 

Resolução do ponto 5 da p. 141 (aceções de ‘romântico’).

 

Trata os livros que vier a distribuir com os cuidados que a todos os livros são devidos: sem os espalmar; sem os usar como base do papel em que escrevamos; sem rasgar ou dobrar folhas.

Se a obra que te tiver calhado reunir várias peças de teatro, escolhe apenas uma delas para o preenchimento da coluna à esquerda na tabela. Tem também em conta que os livros podem ter prefácios, introduções, etc., mas que o que nos interessa é a peça de teatro. Evita pedir-me ajuda para reconhecer estes aspetos (o que pretendo é que te habitues a lidar com o paratexto de um livro de teatro).

Quanto à coluna da direita, tens de percorrer as pp. 152-216 do manual. No manual falta a página inicial da peça, mas copiei-a no verso desta folha.

 


Título da peça

_____________

Frei Luís de Sousa

Autor

______________

Almeida Garrett

Há indicação de género (como subtítulo ou em alguma página preambular)?

______________

Drama

Há indicação sobre a primeira representação (ou sobre alguma outra)?

______________

______________

 

Representado, a primeira vez, em _____, por uma sociedade particular, no teatro da Quinta do Pinheiro em 4 de julho de _____

Há lista de personagens? [Indicar as três que encabecem a lista:]

_______________

_____________________________________

Manuel de Sousa, Dona Madalena de Vilhena, ___________

Quantos atos há?

__________

três

Há descrição do cenário de cada ato? [Transcreve o primeiro nome — comum ou próprio — que surja na didascália descritiva do cenário. (Geralmente, o ato decorre num só cenário; certas peças, porém, dividem os atos em quadros — nesse caso, liga só ao primeiro quadro de cada ato.)]

__________

«câmara»; «__»; «__».

As cenas estão numeradas? [Se estiverem, indica o número de cenas em cada ato:]

__________

_____; quinze; _____.

Há didascálias junto das falas das personagens (provavelmente, entre parênteses e em itálico, a seguir ao nome que antecede a fala)? [Transcreve a primeira que encontres:]

____________

«____ maquinalmente e devagar o que acaba de ler»

 

Responde ao ponto 5 da p. 141:

 

A palavra romantismo, tal como o ______ romântico, é habitualmente utilizada para ______ um tipo de sensibilidade — diz-se de _____ que é uma pessoa «romântica», querendo significar que é ______, idealista, propensa ao devaneio, revelando por vezes um sentido pouco ______ da realidade. O mesmo se diz de um ______ ou de uma _____ motivadora do despertar do sonho, da ______, do sentimento. Diz-se que o mar, a lua, um bosque, um sítio ermo, um rochedo, um pôr do sol, o outono, uma história de ______, um determinado tipo de música são «românticos» — o que não se diz habitualmente de uma ______, fábrica, descoberta científica, ou competição desportiva... Associada à palavra surgem outras, como solidão, _______, melancolia, sonho, devaneios amorosos. [...]

No entanto, quando falamos de Romantismo, a palavra designa apenas um _________ ou movimento literário e artístico, que marca, a partir de finais do século XVIII, uma ______ total na conceção da ______ e da própria vida, cortando com a longa tradição do ______ europeu.

Teve a sua origem nos povos do Norte, principalmente na Inglaterra, Escócia e Alemanha, e difundiu-se, em seguida, nos países do Sul, de tradição latina, França, Itália, Espanha, Portugal [...].

 

FREI LUÍS DE SOUSA


DRAMA

 

Representado, a primeira vez, em Lisboa, por uma sociedade particular, no teatro da Quinta do Pinheiro, em 4 de julho de 1843.

 

PESSOAS

 

Manuel (Frei Luís) de Sousa

Dona Madalena de Vilhena

Dona Maria de Noronha

Frei Jorge Coutinho

O Romeiro

Telmo Pais

O Prior de Benfica

O Irmão Converso

Miranda

O Arcebispo de Lisboa

Doroteia

 

Coro de frades de S. Domingos

Clérigos do arcebispo, frades, criados, etc.

 

Lugar da cena — Almada.

 



 

TPC — Em Gaveta de Nuvens pus cópia de capítulo de uma boa gramática sobre Funções sintáticas (já estudámos as de nível frásico e as internas ao grupo verbal; faltam-nos as internas ao grupo nominal e ao grupo adjetival — cfr., no nosso manual, 326-328). Continuar leitura de Os Maias.


 

Aula 67-68 (30, 31/jan) Na p. 150, lê as definições de «Tragédia», no cimo do enquadrado, e de «Drama», em baixo.

Lê o excerto ensaístico «Estrutura externa e estrutura interna» (p. 151). (Hoje focar-nos-emos precisamente nas duas primeiras cenas da peça, destinadas à apresentação do conflito e dos seus antecedentes.)



Visto o sketch, completa com drama (2), tragédia (2), gravidade, fatalidade, elevado, temor, Destino.

A peça Macbeth, de William Shakespeare, é uma tragédia, escrita nos inícios do século XVII.

O sketch «William Shakespeare’s MacDonald» aproveita alguns dos seus motivos (as personagens de alta estirpe, Macbeth e Lady Macbeth, tornadas MacDonald e Lady MacDonald; as bruxas; as profecias), mas altera elementos importantes da intriga. Essas reformulações fazem perigar o tom _____ que é de regra nas tragédias. O tópico dos «hambúrgueres», a convocação do campo lexical da alimentação (quer da comida rápida quer dos pratos tradicionais), uma interrupção das bruxas para perguntarem «como é que vai o nosso Benfica?», o registo popular-familiar aqui e ali («bom dinheirinho», «chicha», «o um-dois-três», «saudinha») contradizem a ____ habitual na tragédia. A tragédia deve ser susceptível de suscitar, simultaneamente, compaixão e ____, o que é contrariado pelos temas desta falsa obra de Shakespeare, MacDonald.

Para o seu Frei Luís de Sousa, Almeida Garrett preferiu a etiqueta «___», porque pretendia, aproveitando embora um clima idêntico ao de uma ____, poder incumprir algumas das regras típicas daquele género teatral (sobretudo em aspetos formais — a unidade do espaço e do tempo, a escrita em verso). Dirá o autor que o Frei Luís de Sousa, quanto à índole, seria uma ____; quanto à forma, um ___.

No sketch é quase ao contrário: os aspetos formais (de toilette, digamos) da tragédia parecem mais preservados; é o conteúdo que é sobretudo pervertido). O desfecho — que, numa tragédia, é sempre carregado de ____, imposto pelo _____, pelo Fatum — é que também não se concretiza, como conclui a putativa rainha do MacDonald: «Que raio de mariquinhas me saiste!».

 

Lê o verbete que se segue:

 

Frei Luís de SousaDrama de Garrett, em três atos, em prosa, justamente considerado a obra-prima do teatro português. Foi representado pela primeira vez em 4 de julho de 1843, num teatro particular (o da Quinta do Pinheiro, a Sete Rios, pertença de Duarte de Sá), e por amadores da melhor sociedade (o próprio A. desempenhou o papel de Telmo). A 1.ª edição data de 1844. A ação é de trágica simplicidade. D. João de Portugal foi dado como perdido na batalha de Alcácer-Quibir. Sua mulher, D. Madalena de Vilhena, após sete anos de espera e de buscas infrutíferas, desposou D. Manuel de Sousa Coutinho, que já amava em vida de D. João; deste segundo casamento nasceu uma filha, D. Maria de Noronha, que, aos treze anos, revela estranha sensibilidade, aguçada pela tuberculose. Só o velho criado, Telmo, sempre fiel à memória de D. João, espera que ele esteja vivo e regresse; essa íntima fé enche a casa de negros presságios. E, numa sexta-feira, dia fatídico para D. Madalena («faz hoje anos que... que casei a primeira vez, faz anos que se perdeu el-rei D. Sebastião, e faz anos também que... vi pela primeira vez a Manuel de Sousa»), aparece um romeiro vindo da Terra Santa: é D. João de Portugal. Essa família está, pois, condenada à destruição. D. Manuel e D. Madalena decidem entrar num convento; e, durante a cerimónia em que recebem do Prior de Benfica os escapulários dominicanos, surge Maria que, desvairada, vem morrer na própria igreja («morro, morro... de vergonha...»). Só no final a peça descai no melodrama.

Jacinto do Prado Coelho (dir.), Dicionário de literatura portuguesa [...], 3.ª ed., Porto, Figueirinhas, 1984, s. v.

 

Outros dados históricos:

 

D. Pedro I nasceu em 1320, iniciou o reinado em 1357 e morreu em 1367. (Inês de Castro foi assassinada em 1355.)

Luís de Camões nasceu em 1524 (ou 1525) e morreu a 10-6-1580.

A Batalha de Alcácer Quibir ocorreu em 4-8-1578. O rei português era então D. Sebastião, nascido em 1554 e desaparecido (provavelmente, morto) nessa batalha.

Entre 1580 e 1640 foram reis de Portugal Filipe I (de 1580 a 1598), Filipe II (1598-1621) e Filipe III (1621-1640), respetivamente Filipe II, III e IV de Espanha.

Manuel de Sousa Coutinho (aka Frei Luís de Sousa) nasceu c. 1555 e morreu em 1632 (em S. Domingos de Benfica); foi um dos melhores prosadores da língua portuguesa.

João de Portugal, fidalgo da casa de Vimioso, terá morrido em Alcácer Quibir (1578).

Almeida Garrett nasceu em 1799 e morreu em 1854.

 

Dia em que começa a ação da peça (em que, portanto, decorre o Ato I):          28 de julho de 1599

 

Lê a p. 152, que contém a cena I do ato I de Frei Luís de Sousa. Vai respondendo:

 

linhas 3-4     Vê-se toda Lisboa porque a casa-palácio fica {circunda a solução certa} num ponto alto da capital / em Almada / num restaurante português de Marselha

linha 4                      O retrato será de {circunda o nome certo} D. João de Portugal / Manuel de Sousa / D. Sebastião / Telmo / um cocó vestido de cavaleiro de Malta

ll. 15-16                     O facto de Madalena recitar o passo dos Lusíadas que precede a chegada dos algozes de Inês de Castro («Estavas, linda Inês») pretenderá {risca o que consideres errado} acentuar os hábitos literários da personagem / prenunciar que algo funesto sucederá / possibilitar analogias entre os amores de Inês e de Madalena

ll. 19-21         Madalena considera-se {circunda a solução certa} mais infeliz do que Inês / mais feliz do que Inês / tão infeliz quanto Inês

l. 21                O pronome pessoal «ele» tem função de {circunda a solução certa} complemento direto / complemento indireto / complemento oblíquo / sujeito

l. 21                Este pronome «ele» refere-se a {circunda a solução certa} Manuel de Sousa Coutinho / D. João de Portugal / Telmo / D. Pedro

ll. 15-27         No monólogo de Madalena, as reticências, a interrogação e as exclamações concorrem para exprimir {risca o que consideres errado} a angústia / a intranquilidade / a fome de golo / o apetite sexual / a euforia / o entusiasmo.

 

Cria o começo de um livro de teatro (incluindo as mesmas partes que vês na pp. 152 e 154):

Título da peça

Ato Primeiro [A didascália do cenário do:]

Duas curtas cenas do Ato I: Cena I / Cena II

 

Deves seguir também a disposição típica dos textos teatrais (as didascálias ficarão sublinhadas). Quanto a assunto, nada estipulo, mas prefiro que o texto seja verosímil. Como é óbvio, a peça ficará suspensa a partir da segunda cena, pouco avançando em termos de acção.

Como sabes, o que define a mudança de cena é a entrada (ou a saída) de personagens. O teu texto tem de ter duas cenas, mas não é obrigatório que, como acontece na peça de Garrett, na primeira cena haja uma só personagem e, na segunda, duas.

...

TPC — Preparar leitura (isto é: compreensão) da cena II de Frei Luís de Sousa.


 

Aula 69-70 (4, 5/fev) Explicação sobre resumos e sínteses que eram devolvidas.









Vai lendo, ou relendo, a cena II (pp. 154-160) do Frei Luís de Sousa, para circundares a melhor alínea.

 

Na sua primeira fala (ll. 2-3), Telmo trata Madalena na

a) 2.ª pessoa do singular, passando depois, em geral, à segunda pessoa do plural.

b) 3.ª pessoa do singular, passando depois, em geral, à segunda pessoa do plural.

c) 3.ª pessoa do singular, passando depois, em geral, à segunda pessoa do singular.

d) 2.ª pessoa do singular, tratamento que manterá nas restantes falas desta cena.

 

Nas linhas 4-5, o livro que é referido é

a) a vida, o passado.

b) a Bíblia.

c) Os Lusíadas.

d) Frei Luís de Sousa.

 

Relê «como meu senhor... quero dizer como o Sr. Manuel de Sousa Coutinho» (l. 10). A reformulação a meio da frase significa que Telmo

a) considerava ainda D. João de Portugal o seu verdadeiro amo.

b) invocara Deus, por lapso, mas, pouco depois, retomava a frase devidamente.

c) tinha má opinião acerca de Manuel de Sousa Coutinho.

d) pretendia mostrar independência e que não se considerava escudeiro de ninguém.

 

«lá isso!...» (l. 11) implica

a) juízo claramente favorável acerca de Manuel de Sousa.

b) menorização de D. João de Portugal relativamente a Manuel de Sousa Coutinho.

c) certa desvalorização de Manuel de Sousa, apesar do reconhecimento de capacidades suas.

d) correção do que dissera Madalena.

 

Entre as linhas 9 e 18, alude-se

a) ao facto de a Bíblia dever estar escrita em inglês, a língua de todos.

b) às relações de Telmo com as correntes revolucionárias.

c) à Bíblia e à língua em que poderia ser lida.

d) aos hereges.

 

Centrando-te nas linhas 19-42: Madalena trata Telmo

a) na 2.ª pessoa do plural.

b) ora na 2.ª pessoa do plural ora na 2.ª pessoa do singular.

c) na 3.ª pessoa do singular.

d) na 2.ª pessoa do singular.

 

As falas das linhas 32-42 permitem saber que Telmo fora aio

a) da família de Dona Madalena.

b) do primeiro marido de Dona Madalena.

c) da família de Manuel de Sousa Coutinho.

d) de Manuel de Sousa Coutinho.

 

Na fala das linhas 32-36

a) Telmo é caracterizado indiretamente.

b) Telmo é caracterizado diretamente (heterocaracterização).

c) Madalena faz uma autocaracterização.

d) Telmo e Madalena saem caracterizados indiretamente.

 

O aparte na l. 43 («Terá...») visa mostrar que Telmo

a) está revoltado por não ter agora o papel relevante que já fora seu.

b) desconfia da «santidade» do seu primeiro amo.

c) acredita que D. Sebastião não morrera em Alcácer Quibir.

d) não acredita na morte de D. João de Portugal.

 

«seu pai» (ll. 49-50) refere-se

a) ao pai de Telmo. / b) a Manuel de Sousa. / c) a D. João de Portugal. / d) a D. João.

«nessas coisas» (l. 52) — o que Madalena pede a Telmo que não aborde nas conversas com a filha — engloba assuntos

a) de índole sexual e religiosa.

b) de índole sexual, religiosa e política.

c) ligados a Alcácer Quibir, sobretudo, e porventura outros considerados demasiado intelectuais ou «de política».

d) ligados à pedofilia, à droga, à violência doméstica.

 

Maria era

a) alta, saudável.

b) fisicamente desenvolvida e uma jóia de moça.

c) frágil.

d) linda de morrer.

 

Telmo não podia ver Maria (l. 63) por

a) esta ser fruto do amor de Madalena por outro que não o seu primeiro amo, D. João.

b) esta lhe lembrar o pai, D. João de Portugal.

c) preferir moças mais cheiinhas.

d) estar cada vez mais míope.

 

As falas nas linhas 71-72 e 75 mostram um Telmo

a) supersticioso.

b) agoirento, potenciando a angústia de Madalena.

c) que gosta de contradizer os outros.

d) dócil ante o pedido de Madalena.

 

Telmo considerava que Maria era digna de ter nascido em melhor estado (l. 98), por

a) não ter conhecido o pai.

b) o segundo casamento de Madalena poder não ser legítimo.

c) ter nascido já sob o domínio filipino.

d) ter nascido doente.

 

«Para essa houve poder maior que as minhas forças...» (l. 121). O poder a que se reporta Madalena é o

a) da morte.

b) de Deus.

c) do amor.

d) da guerra.

 

A dúvida de Telmo (134) quanto à morte do amo

a) assentava também no que se dizia numa carta entregue a Frei Jorge.

b) devia-se sobretudo ao seu sebastianismo.

c) era resultado apenas da sua fidelidade a D. João.

d) era mero palpite de aio fiel e teimoso.

 

O segundo casamento de Madalena

a) não fora consentido pela família do primeiro marido.

b) tivera o consentimento, um pouco contrariado, da família de D. João.

c) fora bem acolhido pela família de D. João mas não pela de Manuel de Sousa.

d) fora bem aceite pelas três famílias.

 

Frei Jorge, cunhado de Madalena e

a) franciscano, era irmão de D. João de Portugal.

b) dominicano, era irmão de Manuel de Sousa.

c) sabadiano, era sogro de Telmo.

d) dominicano, era irmão de D. João de Portugal.

 

Ao terminar a cena (ll. 206-219), Madalena está preocupada com a demora do marido por este

a) não ser bom mareante.

b) ser bom mareante e poder ter-se entusiasmado num Tejo que é perigoso quando há nortada.

c) não se eximir a tomar posições nas querelas políticas, por haver peste em Lisboa e por o Tejo ser traiçoeiro.

d) ser atreito a pisar cocós de cão, podendo depois as suas botifarras empestar o palácio.

 

Circunda os verbos que selecionam predicativo do sujeito. Depois sublinha os próprios predicativos do sujeito. (Talvez valha a pena lembrar que esse conjunto de verbo copulativo e predicativo do sujeito constitui um predicado [nominal, costumava acrescentar-se].)

 

Telmo Filhos continuou parado, mas reparou que a mosca estava ansiosa. Permaneceu mudo e, quando Aurora — assim se chamava a mosca — ficou mais calma, perguntou-lhe se queria ir ao cinema.

— Não, obrigada. Estou cansada! Seria uma péssima companhia. E o filme A Missão é demasiado monótono. E já agora: estas frases parecem estúpidas (ou feitas à pressa numa tarde de domingo antes das aulas de segunda) — respondeu Aurora.

 

Nota que o predicativo é uma caracterização ligada ao sujeito, intermediada apenas pelo verbo copulativo.

 

Tal como o sujeito, também o complemento direto pode ter um predicativo. O predicativo do complemento direto é introduzido por verbos de apreciação, de julgamento, acerca do complemento direto: «considerar», «julgar», «achar», «declarar», «eleger», «nomear», «tornar», «ter por», etc. São verbos transitivos-predicativos — ou que, embora possam ser apenas transitivos, surgem também como transitivos-predicativos.

Circunda os complementos diretos. Sublinha os predicativos do complemento direto. Atravessa com uma linha diagonal os verbos que têm esses complementos diretos com predicativos. (Como é óbvio, o predicado incluiria verbo, complemento direto e predicativo do complemento direto.)

 

O professor considerava errada aquela ideia. Por mais que pensasse no assunto, não vencia o impasse. Então, comia o salmão cru. Todos achavam as frases uma tontice, mas ele julgava-as sobretudo deselegantes. E tinha de eleger o texto gramatical mais estúpido de todos. Era mesmo aquele.

 

Completa com predicativos do complemento directo:

 

Elejo Almeida Garrett _____. Porém, também considero António Vieira ______. Já José Luís Peixoto julgo-o ______. Enfim, acho todos os escritores portugueses ______. 

 

TPC — Prepara a leitura (compreensão) das cenas III, IV, V, VI (pp. 162-168).


 

Aula 71-72 (6, 7/fev) Correção do questionário de compreensão da aula anterior (cena II) — ver Apresentação.

 

Como tepecê, pedira que preparassem a leitura das cenas III a VI deste Acto 1 do Frei Luís de Sousa (162-168). Relê os passos que for pedindo, a fim de completares as sínteses. Procura que a tua redação se integre bem na sintaxe do texto que esbocei.

 

Cena III (p. 162)

Na primeira fala, percebemos que Maria acredita que D. Sebastião _______. Na sua segunda fala, Maria interroga-se sobre o que leva o pai a mudar de semblante quando se alude ao regresso de D. Sebastião, e inferimos por que motivo ocorre essa mudança de estado de espírito: Manuel de Sousa Coutinho ________. Na terceira fala de Maria, é a própria adolescente que, perante o choro da mãe, lhe promete _______. Na última fala, o aparte de Telmo serve para se nos esclarecer que Maria ________.

 

Cena IV (165-166)

Na metade superior da p. 165, Maria revela a sua preocupação por os pais _________. Depois, Madalena pede-lhe que ________. E, na última fala da cena (já na p. 166), a mesma Madalena volta a mostrar-se preocupada por Manuel ________.

 

Cena V (166-167)

A cena serve para Jorge vir avisar que os governadores ao serviço de Espanha querem sair de Lisboa, alegadamente por causa da ________, e, por isso, quatro deles _________. Isto revolta Maria. Entretanto, ouvindo melhor do que os outros, Maria percebe que o pai está a chegar.

 

Cena VI (168)

Um criado, _________, confirma a chegada de Manuel. O resto da cena serve para, através de um comentário de Madalena e, sobretudo, de um aparte de Jorge, se acentuar que Maria _________.

 

Transpõe o início da cena VII (p. 169) para texto narrativo (de um romance, por exemplo), cujo narrador homodiegético fosse Maria. Não te coles demasiado às frases do original: a mudança de modo literário e de focalização implicam também sintaxe e léxico por vezes diferentes do do texto de Garrett.

...



 

Depois de vermos o início de Entre Irmãos (Brothers), completa:

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

No final do primeiro trecho que veremos de Entre Irmãos teremos o equivalente da situação de Madalena em 1578 — vinte e um anos, menos uma semana, antes do momento a que se reporta a ação da peça no ato I, que decorre em 28 de julho de ______.

Madalena era então casada com ________, cuja família conhecera ainda menina.

Grace é casada com ______ Cahill, com quem namorou desde adolescente.

Casal não tinha filhos. (Maria só nascerá oito anos depois, em 1586, sendo filha de Madalena e de ____.)

Casal tem duas filhas (Isabelle e ______).

Ambos os homens (Portugal e Cahill) são sensíveis à mobilização militar, a que, de certo modo, quase dão prioridade relativamente à família. Entretanto, ambas as iniciativas militares (portugueses em ______; americanos no Afeganistão) são vistas nos respetivos países com muita desconfiança, como desnecessárias e aventureiras.

______ integra exército em Alcácer Quibir.

Sam é enviado para o ______.

Na madrugada do dia da batalha (4-8-1578), escreve uma carta dirigida a Madalena (vivo ou morto ainda há de vê-la) e entregue a ______.

Quatro dias antes de iniciar a comissão (7-10-2007), escreve carta dirigida a _____ e pede a um major que, se viesse a ser necessário, a entregasse à mulher

Tropas cristãs são ______ pelos infiéis («marroquinos»).

Helicóptero americano é _____ pelos talibãs afegãos.

 

TPC — Prepara leitura (compreensão) das restantes cenas do ato I de Frei Luís de Sousa (169-175). Aproveita ainda para avançar na leitura dos Maias e para rever gramática.


 

Aula 73-74 (14, 18, 19/fev) Vai relendo as cenas finais do ato I de Frei Luís de Sousa e completando:






 

Cena VII (pp. 169-170)

Pela primeira vez, intervém _____. Está emocionado e com pressa. Já resolveu que têm de ____, antes que cheguem os governadores. Decide também que a família irá para a casa que pertencera a ______.

 

Cena VIII (171-172)

Madalena tenta convencer Manuel a _____, já que a perspetiva de _____ a deixa em pânico.

 

Cena IX (174)

Ficamos a saber que os governadores _____.

 

Cenas X, XI e XII (174-175)

Mostra-se-nos a saída da família. Vemos que Manuel resolveu ______ a casa. Assim que o percebe, Madalena pede que lhe salvem ______, o que ______ {já não / ainda} foi possível.

 

Depois de vermos mais um trecho de Entre Irmãos, retomaremos o ponto em que estávamos na comparação com Frei Luís de Sousa (em 4-8-1578, derrota em Alcácer Quibir; em 2007, queda de helicóptero americano, alvejado por afegãos):

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

Desaparece D. João de Portugal, que será procurado nos _____ anos seguintes, assumindo quase todos a sua morte.

Desaparece Sam Cahill, sendo comunicada a sua morte a Grace, notícia de cuja veracidade ninguém _____.

Carta entregue a Frei Jorge Coutinho por João de Portugal terá sido transmitida a Madalena logo aquando do regresso a Portugal do frade e futuro ____. Ficou também ciente do seu conteúdo, pelo menos, Telmo.

Carta deixada por Sam para o caso de não regressar é entregue a Grace pelo major ______ no final da missa em memória do falecido. À noite, Grace pega na carta mas não chega a abri-la.

Madalena, passados ____ anos, casara com Manuel de Sousa Coutinho. Um ano depois, tiveram uma filha, Maria. Passados catorze anos sobre o casamento, Maria tem agora treze e falta uma semana para se perfazerem _____ anos sobre Alcácer Quibir.

Nos primeiros tempos, Grace fica ____ com a ausência do marido. Tommy, o cunhado, está bastante presente, até porque precisa de pedir ajuda a Grace, dadas as estroinices em que persiste. Depois parece querer apoiá-la no luto recente.

Telmo é quem mais recorda João de Portugal, com isso angustiando Madalena. Não se inibe de comparar o primeiro amo, que considera superior, com ______, que respeita mas não incensa do mesmo modo superlativo.

Frank Cahill é quem parece ter ficado mais inconformado com a presumida morte de Sam, que lembra sobretudo por comparação com ______, que recrimina e considera não ter as qualidades do outro filho.

 

Ainda as funções sintáticas (cfr. pp. 326-328)

 

Complementos oblíquos versus Modificadores do grupo verbal

[Com um complemento oblíquo é impossível integrar a frase numa interrogação com «Que fez?» para obter o verbo como resposta: «Ele foi a Paris.» (*Que fez ele a Paris? Foi.); com modificador do grupo verbal já resulta: «Ele casou em Paris.» (Que fez ele em Paris? Casou.)]

 

Classifica a função sintática do que está sublinhado:

 

Nunca voltes ao lugar onde já foste feliz. — ____________

Ozil finta os adversários com elegância. — __________

A Albertina afastou-se de mim. — ___________

Dispensei a Maria Inês de chegar a horas. — __________

Insisto sempre na pontualidade. — ___________; __________

A Rita vem às aulas assiduamente. — ___________; ___________

 

Modificadores de frase versus Modificadores do grupo verbal

[Repara que a construção que ponho entre parênteses é possível com o modificador do grupo verbal mas não com o advérbio que incide sobre toda a frase. Modificador de grupo verbal: «Ele come alarvemente.» (É alarvemente que ele come.); modificador de frase: «Evidentemente, o teste de gramática está próximo.» (*É evidendemente que o teste está próximo.)]

 

De facto, Porto e Benfica perderam. — ___________

Analisou o crime friamente. — ____________

 

Depois de, na p. 328, veres as definições e exemplos de complemento do nome, modificador restritivo do nome, modificador apositivo do nome, escolhe a função sintática das expressões sublinhadas.

 

A necessidade de água tornar-se-á mais premente. — _______

Uma característica de Cristiano é a vontade de vitória. — ______

A cor da saia parece-me pirosa. — ______

Lisboa, a capital de Portugal, fica no concelho de Lisboa. — ________

As gravatas azuis ficam-lhe bem. — _______

O interesse pela política prejudicava-o. — _______

 

Resolve o ponto 1.1 da p. 176.

 

TPC — Resolve ficha do Caderno de atividades sobre funções sintáticas (pp. 26-28), que reproduzirei também no blogue, para quem não tenha o CdA. Prepara leitura (compreensão) da cena I do Ato II (pp. 177-180).




 

Aula 75-76 (18, 19, 20/fev) Vai relendo a cena I do Segundo Ato (pp. 177-180), que pedira visses em casa, e lendo agora pela primeira vez as cenas II-IV (pp. 183-185). Circunda a melhor alínea de cada item.





 

            Cena I

Entre as linhas 13 e 20 (p. 177), Maria revela-se

a) descaradamente atiradiça.

b) claramente autoritária.

c) afavelmente impositiva.

d) tendencialmente submissa.

 

«Menina e moça me levaram de casa de meu pai» (l. 16) era o início

a) de Os Lusíadas.

b) de livro sobre raptos de crianças no Algarve.

c) de livro que Madalena não entendia e de que Maria gostava.

d) da Bíblia.

 

Segundo se depreende das ll. 20-21, o ato II decorre

a) vinte anos depois da Batalha de Alcácer Quibir.

b) a 28 de julho de 1599.

c) a 4 e a 6 de agosto de 1599.

d) a 4 de agosto de 1599.

 

Ainda na terceira fala da cena se lembra que Madalena ficara aterrada com

a) a perda do retrato de Manuel.

b) o surgimento do retrato de João.

c) a perda do retrato de João.

d) o surgimento do retrato de Manuel.

 

Podemos dizer que a constatação feita por Maria nas linhas 30-34 constitui uma espécie de

a) quiasmo.

b) alegoria.

c) metáfora.

d) antítese.

 

Logo no início da p. 178,

a) Maria está otimista, mais do que Telmo.

b) Maria está pessimista, mais do que Telmo.

c) Telmo está, no fundo, tão pessimista quanto Maria.

d) Maria está otimista mas não tanto quanto Telmo.

 

Em «Oh, minha querida filha, aquilo é um homem» (44), Telmo refere-se

a) ao namorado.

b) a D. João.

c) a D. Manuel.

d) a D. Sebastião.

 

A «quinta tão triste d’além do Alfeite» (58) é

a) o palácio incendiado.

b) o palácio de D. João de Portugal.

c) um barraco entre o Feijó e a Charneca da Caparica.

d) uma quinta em que se escondera o futuro grande escritor.

 

«mo» (64) é

a) complemento direto.

b) complemento oblíquo.

c) complemento direto e complemento indireto.

d) complemento oblíquo e complemento direto.

 

As reticências na linha 74 mostram que Telmo

a) hesitou, ao trocar «tenha em glória» por «tenha em bom lugar».

b) quis trocar «tenha salvado» por «tenha em bom lugar».

c) não se sentia bem ao falar de Manuel de Sousa.

d) acabara de pisar um cocó de cão e por isso parara um curto momento.

 

A fala de Maria nas ll. 77-88 apresenta vários deíticos. Por exemplo:

a) «Agora» (77), «tu» (77), «estes» (78).

b) «viemos» (79), «aqui» (79), «esta» (80).

c) «tocha» (84), «força» (84), «essas» (84).

d) «ali (80), «naquele» (81), «mão» (82).

 

«o meu Luís» (106) reporta-se

a) a um namorado de Maria.

b) ao autor da presente ficha.

c) a Luís Coutinho.

d) a um zarolho.

 

Na última fala da cena, Telmo reconhece que D. João

a) amara Madalena.

b) estava vivo.

c) tinha a guerra como principal paixão.

d) tinha barba garbosa.

 

            Cena II

Segundo se diz na didascália final da cena I (p. 180), que liga essa à cena que nos interessa agora, chegou um homem embuçado. O homem é

a) Manuel de Sousa, que não pôde escanhoar devidamente o buço.

b) Telmo, que ostentava barba farta.

c) Manuel de Sousa, que veio escondido.

d) Telmo, sempre enigmático.

 

Ao apreciar o retrato de D. João de Portugal — «um honrado fidalgo, e um valente cavaleiro» (primeira fala da cena) —, Manuel de Sousa está a

a) ser irónico.

b) ser sincero.

c) mostrar-se ressentido.

d) mentir, para proteger Maria.

 

A pergunta de Maria «E então para que fazeis vós como eles?...» (l.25) alude ao facto de

a) Manuel de Sousa ter sido um escritor de muitos méritos.

b) Telmo e Manuel serem demasiado emotivos.

c) Manuel de Sousa, segundo Maria, não regular bem da cabeça.

d) Madalena e Manuel não estarem, como queria Maria, calmos.

 

            Cena III

A observação de Manuel «Há de ser destas paredes, é unção da casa: que isto é quase um convento aqui, Maria...» (ll. 39-40, p. 184) justifica-se por a casa de D. João

a) confinar com a igreja dos dominicanos.

b) ser muito austera.

c) ter sido o local de conceção de Maria.

d) ter sido o local dos amores de Madalena e João, o que Manuel lembra ironicamente.

 

            Cena IV

Jorge decidira ir a Lisboa, para

a) acompanhar o arcebispo nessa viagem, assim lhe agradecendo.

b) resolver assuntos no Sacramento.

c) acompanhar o arcebispo no regresso a Almada, assim lhe agradecendo.

d) ver Joana de Castro.

 

Baseando-te na didascália inicial do Ato II de Frei Luís de Sousa (p. 177), desenha um esboço do cenário desse ato.

.....

 

Faz um comentário acerca do papel desempenhado pelo retrato de D. João de Portugal no início do ato.

...

 

Depois de vermos mais um trecho de Entre Irmãos, continuaremos a comparação com o Frei Luís de Sousa:

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

O nacionalismo e a inflexibilidade de Manuel fizeram que a família tivesse de abandonar a residência dos Coutinhos e instalar-se no palácio que pertencera a D. João de Portugal. Este espaço, onde decorre já o ato II, é mais _____. Madalena, ao chegar à nova (velha) casa fica aterrorizada ao deparar-se com o retrato do primeiro marido. Depois, não dormiria as primeiras _____ noites. Maria ainda está orgulhosa com a atitude do pai. Gostara aliás do espetáculo que fora o incêndio da casa de Manuel.

Em parte para se ressarcir das confusões em que se metera, Tommy decide remodelar a ______ de Grace. Esta, ao chegar a casa, depara-se com as obras e uma série de amigos do cunhado, começando por reagir mal mas conformando-se rapidamente e integrando-se no ambiente jovial. Roupas de Sam (escolhidas por Grace, que parece mesmo querer desfazer-se delas) servem a um dos colaboradores, que se sujara com tinta. O caso é pretexto para chacota e brincadeira. Também as _____ colaboram nos arranjos.

No velho palácio, os retratos de D. João de Portugal, D. Sebastião e Camões ocupam a atenção de Maria, que procura satisfazer junto de Telmo a curiosidade acerca de quem está representado na primeira imagem. Telmo é ____ na sua resposta. Mas Manuel de Sousa esclarece a filha, não se coibindo de elogiar João de Portugal.

A cozinha fica como nova. No dia de aniversário de Grace, todos parecem alegres com as mudanças. Crianças estão mais confiantes e parecem dar-se bem com Tommy. Num passeio, Tommy lembra a uma delas que Sam o salvara naquele local havia muito. Já antes, um dos amigos evocara as _____ de Sam.

 

TPC — Lê resto do Ato II. (Vai pensando na tarefa sobre FLS que explico aqui.)


 

Aula 77-78 (21, 25, 26/fev) Correção do questionário para compreensão da primeira parte do ato II feito na aula anterior (cfr. Apresentação).

Vai lendo as cenas do Ato II (pp. 187-197) e completando as duas quadrículas vagas com dois esboços de comentários (das cenas V a VIII; das cenas X a XV):

 


Cena

Assunto

Comentário-análise (esboço de)

V

Aparentemente recuperada, D. Madalena volta a cair no seu terror perante a possibilidade de se ver sem Manuel de Sousa e sem Maria naquele dia.

 

VI

Quando se prepara a partida, Madalena pede a Manuel de Sousa que leve também Telmo, aparentemente por não o querer consigo.

VII

Na partida, Madalena despede-se, chorosa, de Manuel de Sousa e de Maria, como se fosse para sempre. Demonstra grande cuidado com a saúde da filha, que sai de cena «sufocada com choro».

VIII

Aquando da despedida, hiperbolicamente comparada por Manuel a uma partida para a Índia, é abordado o caso de Sóror Joana e de seu marido, tragicamente comentado por Madalena.

IX

O ambiente que envolve Frei Jorge fá-lo ver em Madalena, Manuel de Sousa e Maria um estado de espírito cheio de presságios e desgraças próximas, de que se sente quase contagiado.

Esta cena é um aparte, com que Jorge desempenha um papel próximo do do coro da tragédia clássica, de comentador, quase como momentâneo relator de presságios. Com a saída de outras personagens também se consegue transmitir o movimento da partida e simular a passagem do tempo, criando um separador entre dois momentos do ato.

X

D. Madalena desabafa com Frei Jorge as razões do seu desespero em relação ao dia em que decorre a ação e o seu sentimento de pecado em relação ao amor por Manuel de Sousa.

 

XI

Miranda anuncia a chegada de um peregrino que vem da Terra Santa com um recado para Madalena que apenas a ela dará. Madalena decide recebê-lo.

XII

Frei Jorge reflete sobre o comportamento de muitos falsos peregrinos que se aproveitam da caridade dos fiéis.

XIII

Encontro do Romeiro com Madalena.

XIV

O Romeiro vai dando a conhecer a sua identidade (ainda que os seus sinais não sejam entendidos). A revelação de que D. João está vivo é para D. Madalena a confirmação de todos os presságios de desgraça.

XV

À pergunta de Frei Jorge sobre a sua identidade, o Romeiro responde «Ninguém!» e identifica-se apontando com o bordão para o retrato de D. João de Portugal.

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

Tudo parece ir compor-se. Madalena diz já estar _____ (era só receio de perder Manuel). Manuel tem de ir a Lisboa, por estar em dívida com o arcebispo. A perspetiva de ficar sozinha a uma sexta angustia Madalena, que pede a Manuel que não a deixe naquela ____ aziaga (faz anos que casou com João, conheceu Manuel, ocorreu a batalha de Alcácer Quibir). Abraçam-se. Embora Manuel prometa não demorar, Madalena fica preocupada, ansiosa.

Tudo parece ir compor-se. Grace anda mais _____ (também por ação de Tommy). Tommy vai ao banco pedir desculpa à senhora com quem agira mal. Enquanto conta a Grace essa peripécia, fica claro que se estão a apaixonar (e Grace tenta que Tommy acredite que, em adolescente, não era a miúda _____ que ele prefigurara). Beijam-se. Grace fica com má consciência, ansiosa, embora Tommy prometa não insistir.

O que é certo é que fica mesmo sozinha naquele dia (Telmo foi também com Manuel). Madalena recebe a informação de que um romeiro quer falar-lhe. Adivinhamos que é ______.

O que é certo que, passados dias, já estão ambos de novo descomplexadamente alegres (com as crianças a divertirem-se). Grace recebe um telefonema. Percebemos que é para avisar da chegada do ______.

 

TPC — (1) Vai preparando a tarefa sobre Frei Luís de Sousa (cfr. indicações em Gaveta de Nuvens); (2) Prepara leitura em voz alta (muito expressiva) da parte do ato III (pp. 200-...) que te compita. Cada aluno preparará todas as falas nas linhas que indico. Em aula serão chamados a ler, em diálogo-quase-dramatização, uma (ou duas) das personagens dessa parte.



 

Aula 79-80 (25, 27/fev) Esta ficha segue bastante o que ficou fixado na ficha do caderno de atividades sobre Funções sintáticas pedida como trabalho de casa há poucas aulas.




Sem consultares outros elementos além desta folha, classifica quanto à função sintática (sujeito, predicado, vocativo, modificador de frase; complemento direto, complemento indireto, complemento oblíquo, complemento agente da passiva, predicativo do sujeito, predicativo do complemento direto, modificador do grupo verbal; complemento do nome, modificador restritivo do nome, modificador apositivo do nome) as expressões sublinhadas. Não é obrigatório que estejam representadas todas as funções e pode haver funções que apareçam mais do que uma vez.

 

[Para identificação do complemento direto, podes experimentar a substituição pelos pronomes «o» ou «isso». Para identificação do complemento indireto, serve a substituição por «lhe». Com o modificador do grupo verbal resulta a pergunta «Que fez sujeito + modificador?», obtendo-se depois o verbo; ao contrário, este teste não resulta com complementos oblíquos. Com o modificador do grupo verbal também resultará «Foi modificador do grupo verbal que sujeito + grupo verbal», mas já não com um modificador de frase. O complemento agente da passiva passa a sujeito na frase na ativa.]

 


O trema de «Özil» foi por mim esquecido numa ficha anterior.

1 — ___________

2 — ___________

Telmo, traz-me o DVD da Missão.

1 — ___________

2 — ___________

Colin Firth, o James de O Amor Acontece, é o protagonista de O Discurso do Rei.

1 — ___________

2 — ___________

O velho aio achava Maria muito delgadinha.

1 — ___________

2 — ___________

Juristas e opinião pública consideram escandalosa a absolvição de Domingos Névoa.

1 — ___________

2 — ___________

Maria sofria de tuberculose.

______________

O disco de Rui Veloso é dedicado a Bernardo Sassetti.

1 — ______________

2 — ______________

O disco de vinil tem a canção de que gostas.

1 — ______________

2 — ______________

Obviamente, vi com agrado a derrota do Benfica.

1 — ______________

2 — ______________

 

Classifica o sujeito (nulo subentendido, nulo expletivo, nulo indeterminado, simples, composto) da

 


primeira frase

_________

quinta frase

_________

última frase

_________

 

Segunda versão:

 


Não insistas, Madalena, nesse capricho.

1 — ________

2 — ________

A minha vida e a do meu marido, Telmo, foram estragadas pelos teus presságios.

1 — ________

2 — ________

À Maria, explica, por favor, apenas coisas úteis.

1 — ________

2 — ________

Efetivamente, nesta sala há cadeiras de madeira.

1 — ________

2 — ________

Dona Doroteia, mãe do coronel Amâncio, detestava as quengas.

1 — ________

2 — ________

A imprensa elegeu Vagner o melhor em campo.

1 — ________

2 — ________

Iremos ao Panteão a quinze de abril.

1 — ________

2 — ________

Aurélia, papel desempenhado por Lúcia Moniz, parece-me uma personagem quase redonda.

1 — ________

2 — ________

A reação contra Bruno Paixão foi imediata.

___________

 

Classifica o sujeito (nulo subentendido, nulo expletivo, nulo indeterminado, simples, composto) da

 


quarta frase

___________

sétima frase

___________

última frase

___________

 

ponto 1 da p. 205:

...

 

ponto 2.1 da p. 205:

a. = ___; b. = ___; c. = ___; d. = ___; e. = ___.

 

ponto 3.1 da p. 207 {sublinha aqui}:

«Meu honrado amo, o filho do meu nobre senhor, está vivo... O filho que eu criei nestes braços... Vou saber novas certas dele, no fim de vinte anos de o julgarem todos perdido; e eu, eu que sempre esperei, que sempre suspirei pela sua vinda...»

 

Leitura em voz alta (cena I do Ato III).

 

TPC — Ir fazendo o trabalho de comentário a Frei Luís de Sousa entretecido com comentário a letra de canção (cfr. «Instruções» em Gaveta de Nuvens), cuja primeira versão me deve ser enviada até 2 de março.


 

Aula 81-82 (28/fev, 4, 5/mar) Correção do trabalho de gramática feito na aula anterior. (Ver Apresentação.)

 


Não insistas, Madalena, nesse capricho.

1 — Vocativo

2 — Complemento oblíquo

A minha vida e a do meu marido, Telmo, foram estragadas pelos teus presságios.

1 — Sujeito

2 — Complemento agente da passiva

À Maria, explica, por favor, apenas coisas úteis.

1 — Complemento indireto

2 — Complemento direto

Efetivamente, nesta sala há cadeiras de madeira.

1 — Modificador de frase

2 — Modificador restritivo do nome

Dona Doroteia, mãe do coronel Amâncio, detestava as quengas.

1 — Sujeito

2 — Predicado

A imprensa elegeu Vagner o melhor em campo.

1 — Sujeito

2 — Predicativo do complemento direto

Iremos ao Panteão a quinze de abril.

1 — Complemento oblíquo

2 — Modificador do grupo verbal

Aurélia, papel desempenhado por Lúcia Moniz, parece-me uma personagem quase redonda.

1 — Modificador apositivo do nome

2 — Predicativo do sujeito

A reação contra Bruno Paixão foi imediata.

Complemento do nome

 


Efetivamente, nesta sala há cadeiras de madeira.

Sujeito nulo expletivo

Iremos ao Panteão a quinze de abril.

Sujeito nulo subentendido

A reação contra Bruno Paixão foi imediata.

Sujeito simples

 


O trema de «Özil» foi por mim esquecido numa ficha anterior.

1 — Complemento agente da passiva

2 — Modificador do grupo verbal

Telmo, traz-me o DVD da Missão.

1 — Vocativo

2 — Complemento direto

Colin Firth, o James de O Amor Acontece, é o protagonista de O Discurso do Rei.

1 — Modificador apositivo do nome

2 — Predicativo do sujeito

O velho aio achava Maria muito delgadinha.

1 — Sujeito

2 — Predicativo do complemento direto

Juristas e opinião pública consideram escandalosa a absolvição de Domingos Névoa.

1 — Predicativo do complemento direto

2 — Complemento do nome

Maria sofria de tuberculose.

Complemento oblíquo

O disco de Rui Veloso é dedicado a Bernardo Sassetti.

1 — Sujeito

2 — Complemento indireto

O disco de vinil tem a canção de que gostas.

1 — Modificador restritivo do nome

2 — Predicado

Obviamente, vi com agrado a derrota do Benfica.

1 — Modificador de frase

2 — Modificador do grupo verbal

 


O trema de «Özil» foi por mim esquecido numa ficha anterior.

Sujeito simples

Juristas e opinião pública consideram escandalosa a absolvição de Domingos Névoa.

Sujeito composto

Obviamente, vi com agrado a derrota do Benfica.

Sujeito nulo subentendido

 

Leitura em voz alta (cfr. tepecê da penúltima aula).

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

D. João de Portugal é identificado por Jorge, mas não por ____. Telmo reconhecerá o seu amo, embora também não ao primeiro relance. João vem velho, de vinte e um ____ passados e do duro cativeiro.

____ é bem recebido por todos, que o acolhem com amizade, com amor. Porém, vem diferente. Só passaram ____, mas foi duro o cativeiro. (E, embora só nós o adivinhemos, desgasta-o um sentimento de culpa.)

Manuel fica ciente de que regressou o primeiro marido da mulher. Se chega a revoltar-se, logo percebe a ___ dessa atitude relativamente a João de Portugal (não há rivalidade, há assunção da ilegitimidade da sua situação).

Atitude de Tommy relativamente a Sam é de amizade, de respeito, de quem se propõe sinceramente ___ o irmão (não é de rivalidade, mesmo se não há assunção de arrependimento por «flirt» com Grace).

Telmo é que hesita entre a devoção ao antigo amo e a consciência de que o seu regresso vem lançar a ____ sobre Maria, que considera já como uma segunda filha.

Frank é quem parece não querer tomar consciência de que Sam não está bem, defendendo que os fuzileiros estão _____ para as situações que o filho terá vivido no Afeganistão.

João/Romeiro ainda confunde palavras de Madalena dirigidas ao marido com a possibilidade de ela se lhe dirigir com paixão, mas, desfeita essa ______, sente-se como um intruso que veio destruir uma família.

Sam adivinha o que se passara e, aparentemente, compreende-o sem ressentimento, embora se sinta agora como um intruso que veio constranger a _______ que se instalara na família.

D. João pede a Telmo que diga a todos que o romeiro não passava de um ______.

Uma das miúdas diz ao pai que preferia que ele não tivesse ______.

 

TPC — Recordo que os comentários sobre Frei Luís de Sousa e canção (ver «Instruções») me devem ser enviados até 2 de março (luisprista@netcabo.pt; se não agradecer é que nada me chegou). Quando lhes entregar esses textos já corrigidos, devem lançar as emendas no vosso ficheiro e enviar-mo de novo.


 

Aula 83-84 (4, 6/mar) Redação de comentários, ou respostas a perguntas, em torno do ato III.


[Resolve o ponto 1.1 da p. 211:]

...

Na cena V, como reage o Romeiro ao tomar conhecimento das diligências de D. Madalena aquando do seu desaparecimento?

...

[Resolve o ponto 4 da p. 211:]

...

 

Leitura em voz alta (resto do ato III).

 

TPC — Lança no ficheiro respetivo as emendas que fiz ao comentário sobre canção e Frei Luís de Sousa e envia-mo. (A classificação — que será relativa à primeira versão, sobretudo — ficará junto dos textos em Gaveta de Nuvens.) Vai já trazendo, nas duas aulas que se seguem, o teu exemplar de Os Maias.


 

Aula 85-86 (7/mar [nas turmas 3.ª e 9.ª esta aula será talvez diluída em outras ou dada posteriormente]) Questionário de compreensão escrita/gramática dos textos das pp. 219 («Esta é uma verdadeira tragédia...» e 220 («Tragédia romântica»).

Redação de resposta(s) a pergunta(s) sobre ato III do FLS:

Nas cenas VII e VIII, a atitude de Madalena contrasta com a de outras personagens, a cujos argumentos acabará por se render já na cena IX. Explica esta evolução.

...

Comprova a adequação do estado de espírito de Maria através dos recursos estilísticos na fala das linhas 24-43 (pp. 215-216).

...

[Tarefa de compreensão oral tirada do manual Desafios, Português, 11.º ano, Carnaxide, Santillana, 2011:] Ouve o texto de Gianluca Miraglia sobre a peça Frei Luís de Sousa e completa as frases que se seguem:

 

O público oitocentista não recebeu a peça com ___________.

Almeida Garrett pretendia escrever uma peça de natureza clássica, mas, formalmente, trata-se de um ________; o primeiro ato desenrola-se no palácio de ________ e o segundo e o terceiro atos desenrolam-se no palácio de ___________.

A duração da ação corresponde a ________ dias.

O autor inspirou-se num episódio ____________.

No fim do segundo ato ocorre o reconhecimento, o ___________ da peça.

Há, na peça, vários presságios que o anunciam, como, por exemplo, as _________ de Telmo sobre a morte de D. João ou a __________ de D. Madalena.

A catástrofe é desencadeada pela __________.

O título corresponde ao nome que Manuel de Sousa toma _________.

O facto de a peça ter múltiplas interpretações deve-se ________.

 


Frei Luís de Sousa

Entre Irmãos

Madalena debate-se entre dúvidas, entrevê possibilidades de solução benigna, apela aos outros, estranha reações frias. (Nem ____ nem Jorge a esclarecem ou ajudam muito.)

Sam vive em conflito interior, mostra-se esquivo, agride-se e agride os outros, porque pretende desabafar. (Só ___ percebe que ele tem alguma pena a remir.)

Final é trágico (quando Madalena hesita, e ____ e João combinam estratégia salvadora, os irmãos Manuel e ____ impedem uma solução contemporizadora).

Final só por pouco não é trágico (na cena do desespero-quase-suicídio de ____, ação do irmão ____ é crucial para se poder evitar desfecho mortal).

Expiação da culpa é obtida por ingresso na vida ___ e por ___ de Maria.

Expiação da culpa é obtida pelo ____ e pela ____ a Grace.

Final é relativamente fechado, embora haja pontos por esclarecer (destino de João). Abre-se para os protagonistas um novo ciclo, puramente religioso (mas essa já não é a história contada no drama — mesmo se, historicamente, quase só agora comece o escritor _____).

Final é ___. (Não fica claro o desfecho. Supõe-se para breve a recuperação da felicidade anterior da família?)

 

TPC — Lança no ficheiro respetivo as emendas que fiz ao comentário sobre canção e Frei Luís de Sousa e envia-mo. (A classificação — relativa à primeira versão, sobretudo, mas dependente de verificação da segunda — ficará junto dos textos em Gaveta de Nuvens.) Vai já trazendo o teu exemplar de Os Maias, sem esquecer também o manual. (Lembro a quem não chegou a entregar a gravação de apreciação crítica pedida ainda no 1.º período, nem mesmo no prazo que estabeleci já neste 2.º período, que essa falta, a manter-se, terá consequências antipáticas na classificação deste período.)


 


Aula 87-88 (11, 12/mar) Preenchimento de questionário para compreensão dos textos de Os Maias nas pp. 240-241 do manual e escrutínio da situação em termos de leitura da obra.

 

Circunda a alínea que descreve mais aproximadamente a tua situação:

 

a) Trouxe hoje para a aula o meu exemplar de Os Maias.

b) Pedi há pouco a um colega de outra turma um exemplar de Os Maias, que é este que tenho sobre a mesa.

c) Pedi há pouco a um colega de outra turma um exemplar de Os Maias, mas ele não mo emprestou.

d) Ordenei a um dos inúmeros colegas sobre quem exerço biblio-bullying que trouxesse à sala D9 um exemplar de Os Maias, chamo-me Pedro e pertenço ao 11.º 6.ª.

e) Não trouxe hoje o meu exemplar de Os Maias, mas tenho-o em casa (e é até um bonito exemplar).

f) Não trouxe hoje o meu exemplar de Os Maias, mas tenho-o em casa (e não o acho bonito).

g) Não tenho exemplar de Os Maias, nem aqui nem em casa.

h) Até tinha um exemplar de Os Maias comigo, mas, só para contrariar o professor, deitei-o fora antes de entrar na sala.

 

Circunda a(s) alínea(s) que descreve(m) a tua situação:

 

a) Já li Os Maias na totalidade.

b) Já li quase todos Os Maias, faltando-me uns míseros três capítulos (ou por aí).

c) Li cerca de metade da obra.

d) Li até ao sexto capítulo inclusivé.

e) Li até ao quarto capítulo inclusivé.

f) Li menos do que os quatro primeiros capítulos.

g) Na verdade, ainda não li mais do que o primeiro capítulo ou nem isso.

 

h) Li o livro o ano passado, já que estava no 11.º ano.

i) Li o livro o ano passado (na verdade, não o cheguei a ler todo, mas, pelo menos, estudei-o e ouvi falar sobre ele, já que estava no 11.º ano).

j) Li resumos mas quase nada do livro propriamente dito.

k) Vi uns bocados de um filme-novela brasileira (que funde Os Maias e A Relíquia).

l) Já li todo o livro, mas fi-lo há dez anos pelo que já não me lembro do enredo.

m) Não li, mas tenciono ler nas férias da Páscoa.

n) Não li e não tenciono ler, por ser difícil compatibilizar os meus afazeres próximos — treino intensivo para uma competição de curling — com a leitura desse grande romance do magistral Eça.

o) Não li, não tenciono ler e tenho ódio a quem leu.

 

Centremo-nos agora nas pp. 240-243 do manual, que têm trechos do primeiro e do último capítulos do romance. (Se tiveres o teu exemplar contigo, repara que as últimas linhas que nos são apresentadas do capítulo XVIII — no pé da página 242 do manual — não correspondem ao final da obra: ficamos a meio da __ página do romance.)

 

Se ainda não leste o livro até ao quarto capítulo pelo menos, lê o texto A (pp. 240-241) e, na metade superior do verso desta nossa folha, responde às perguntas 3, 5 e 5.1 da p. 243.

Se és aluno dedicado e já leste até ao cap. 4 pelo menos, vai já para a metade inferior do verso desta folha e resolve as duas perguntas que aí refiro.

 

3. ..

 

5. ...

 

5.1 ...

 

Responde à pergunta 7 (p. 243), mesmo sem estares agora a reler atentamente esse texto A.

7. ...

 

Como se vê no esquema apresentado na pergunta 2.1, a data da ação no início do capítulo 1 é 1875, correspondente à instalação de Afonso e seu neto no Ramalhete, depois da licenciatura de Carlos (e depois também de este viajar pela Europa). Por palavras tuas, recorda o estudante que fora Carlos em Coimbra.

...

 

Três sketches «oitocentistas» dos Gato Fedorento (série Barbosa):




 

Apresentam-se os inícios (1-9) e os finais (A-I) de nove romances de Eça. (Dos publicados em vida do autor, só não estão Os Maias e, por ter sido escrito em colaboração com Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra.)

Põe ao lado dos títulos os que te pareçam ser os respectivos inícios (1 a 9) e finais (A a I):

 

Romances de Eça de Queirós (segundo a ordem de publicação)
Inícios (1-9)
Finais (A-I)
O Crime do Padre Amaro
 
 
O Primo Basílio
 
 
O Mandarim
 
 
A Relíquia
 
 
A Ilustre Casa de Ramires
 
 
A Cidade e as Serras
 
 
A Capital! (começos duma carreira)
 
 
O Conde de Abranhos
 
 
Alves & C.ª
 
 

 

Inícios

 

1          A estação de Ovar, no caminho de ferro do Norte, estava muito silenciosa, pelas seis horas, antes da chegada do comboio do Porto.

 

2          À EX.MA SR.A CONDESSA DE ABRANHOS

            MINHA SENHORA: Tive, durante quinze anos, a honra tão invejada de ser o secretário particular de seu Ex.mo Marido, Alípio Severo Abranhos, Conde de Abranhos, e consumo-me, desde o dia da sua morte, no desejo de glorificar a memória deste varão eminente, orador, publicista, estadista, legislador e filósofo.

 

3          Nessa manhã, Godofredo da Conceição Alves, encalmado, soprando por ter vindo do Terreiro do Paço quase a correr, abria o batente de baetão verde do seu escritório num entressolo na Rua dos Douradores, quando o relógio de parede por cima da carteira do guarda-livros batia as duas horas, naquele tom, cavo, a que os tetos baixos do entressolo davam uma sonoridade dolente, e cava. Godofredo parou, verificou o seu próprio relógio preso por uma corrente de cabelo sobre o colete branco, e não conteve um gesto de irritação vendo a sua manhã assim perdida, pelas repartições do Ministério da Marinha: e era sempre assim quando o seu negócio de comissões para o Ultramar o levava lá: apesar de ter um primo de sua mulher Diretor-Geral, de escorregar de vez em quando uma placa de cinco tostões na mão dos contínuos, de ter descontado a dois segundos oficiais letras de favor, eram sempre as mesmas dormentes esperas pelo ministro, um folhear eterno de papelada, hesitações, demoras, todo um trabalho irregular, rangente e desconjuntado de velha máquina meio desaparafusada.

 

4         Foi no domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé, José Miguéis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sanguíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo comilão dos comilões. Contavam-se histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica — que o detestava — costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado:

            — Lá vai a jiboia esmoer. Um dia estoura!

 

5          O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival.

            No Alentejo, pela Estremadura, através das duas Beiras, densas sebes ondulando por colina e vale, muros altos de boa pedra, ribeiras, estradas, delimitavam os campos desta velha família agrícola que já entulhava o grão e plantava cepa em tempos de el-rei D. Dinis. A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco fartas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E cerrados pinheirais seus negrejavam desde Arga até ao mar de Âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elisios, n.° 202.

 

6         Decidi compor, nos vagares deste verão, na minha Quinta do Mosteiro (antigo solar dos condes de Lindoso), as memórias da minha Vida — que neste século, tão consumido pelas incertezas da Inteligência e tão angustiado pelos tormentos do Dinheiro, encerra, penso eu e pensa meu cunhado Crispim, uma lição lúcida e forte.

 

7          Eu chamo-me Teodoro —  e fui amanuense do Ministério do Reino.

            Nesse tempo vivia eu à Travessa Conceição n.° 106, na casa de hóspedes da D. Augusta, a esplêndida D. Augusta, viúva do major Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração do bairro central, esguio e amarelo como uma tocha de enterro; e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola francesa.

 

8         Tinham dado onze horas no cuco da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luís Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire de marroquim escuro, espreguiçou-se, bocejou e disse:

            — Tu não te vais vestir, Luísa?

 

9         Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava. Gonçalo Mendes Ramires (que naquela sua velha aldeia de Santa Ireneia, e na vila vizinha, a asseada e vistosa Vila Clara, e mesmo na cidade, em Oliveira, todos conheciam pelo «Fidalgo da Torre»), trabalhava numa novela histórica, A Torre de D. Ramires, destinada ao primeiro número dos ANAIS DE LITERATURA E DE HISTÓRIA, revista nova, fundada por José Lúcio Castanheiro, seu antigo camarada de Coimbra, nos tempos do Cenáculo Patriótico, em casa das Severinas.

 

Finais

 

A         Os três amigos retomaram o caminho de Vila Clara. No céu branco a estrelinha tremeluzia sobre Santa Maria de Craquede. E padre Soeiro, com o seu guarda-sol sob o braço, recolheu à Torre vagarosamente, no silêncio e doçura da tarde, rezando as suas ave-‑marias, e pedindo a paz de Deus para Gonçalo, para todos os homens, para campos e casais adormecidos, e para a terra formosa de Portugal, tão cheia de graça amorável, que sempre bendita fosse entre as terras.

 

B         E não é sem uma emoção profunda que ali vou cada ano em piedosa romagem, contemplar a alta figura, marmórea, com o seu porte majestoso, o peito coberto das condecorações que lhe valeu o seu merecimento, uma das mãos sustentando o rolo dos seus manuscritos, para indicar o homem de letras, a outra assente sobre o punho do seu espadim de moço fidalgo, para designar o homem de Estado — e os olhos, por trás dos óculos de aros de ouro, erguidos para o firmamento, simbolizando a sua fé em Deus e nos destinos imortais da Pátria!

 

C         E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do Norte ao Sul e do Oeste a Leste, desde a Grande Muralha da Tartária até às ondas do Mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum Mandarim ficaria vivo, se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má de má argila, meu semelhante e meu irmão!

 

D         E tudo isto perdera! Porquê? Porque houve um momento em que me faltou esse descarado heroísmo de afirmar, que, batendo na Terra com pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao Céu — cria, através da universal ilusão, ciências e religiões.

 

E         E na verdade me parecia que, por aqueles caminhos, através da natureza campestre e mansa — o meu Príncipe, atrigueirado nas soalheiras e nos ventos da serra, a minha prima Joaninha, tão doce e risonha mãe, os dois primeiros representantes da sua abençoada tribo, e eu — tão longe de amarguradas ilusões e de falsas delicias, trilhando um solo eterno, e de eterna solidez, com a alma contente, e Deus contente de nós, serenamente e seguramente subíamos — para o Castelo da Grã-Ventura!

 

F         E o homem de Estado, os dois homens de religião, todos três em linha, junto às grades do monumento, gozavam de cabeça alta esta certeza gloriosa da grandeza do seu país, — ali ao pé daquele pedestal, sob o frio olhar de bronze do velho poeta, ereto e nobre, com os seus largos ombros de cavaleiro forte, a epopeia sobre o coração, a espada firme, cercado dos cronistas e dos poetas heroicos da antiga pátria — para sempre passada, memória quase perdida!

 

G         — E nós que estivemos para nos bater, Machado! A gente em novo sempre é muito imprudente... E por causa duma tolice, amigo Machado!

            E o outro bate-lhe no ombro também, responde sorrindo:

            — Por causa duma grande tolice, Alves amigo!

 

H        Ao fundo do Aterro voltaram; e o visconde Reinaldo passando os dedos pelas suíças:

            — De modo que estás sem mulher...

            Basílio teve um sorriso resignado. E, depois dum silêncio, dando um forte raspão no chão com a bengala:

            Que ferro! Podia ter trazido a Alphonsine!

            E foram tomar xerez à Taverna Inglesa.

 

I          Artur, instintivamente, olhou o molho de erva, que a pequena com muito cuidado apertava na dobra da saia, contra o ventrezinho. Já havia naquela erva, pensou, — porque sempre, de Coimbra, conservara ideias panteístas — havia já alguma coisa da doce velha.

            — Para que é a erva, tio Jacinto?

            — A erva? Ah, que é muito tenra. Escolhi-a de propósito. Saiba V. S.ª que é para os coelhos — respondeu o tio Jacinto, fechando a grade de ferro do cemitério.

 

Continuação de __ || ...

Trecho antecedente de __ || ...

Título || ...

Início || ...

Final || ...

 

[Junto aqui, em pares, inícios e conclusões de cada romance]

 

A Capital! (começos duma carreira)

1              A estação de Ovar, no caminho de ferro do Norte, estava muito silenciosa, pelas seis horas da tarde antes da chegada do comboio do Porto.

I              Artur, instintivamente, olhou o molho de erva, que a pequena com muito cuidado apertava na dobra da saia, contra o ventrezinho. Já havia naquela erva, pensou, — porque sempre, de Coimbra, conservara ideias panteístas — havia já alguma coisa da doce velha.

                — Para que é a erva, tio Jacinto?

                — A erva? Ah, que é muito tenra. Escolhi-a de propósito. Saiba V. S.ª que é para os coelhos — respondeu o tio Jacinto, fechando a grade de ferro do cemitério.

 

O Conde de Abranhos

2             À EX.MA SR.A CONDESSA DE ABRANHOS

                MINHA SENHORA: Tive, durante quinze anos, a honra tão invejada de ser o secretário particular de seu Ex.mo Marido, Alípio Severo Abranhos, Conde de Abranhos, e consumo-me, desde o dia da sua morte, no desejo de glorificar a memória deste varão eminente, orador, publicista, estadista, legislador e filósofo.

B            E não é sem uma emoção profunda que ali vou cada ano em piedosa romagem, contemplar a alta figura, marmórea, com o seu porte majestoso, o peito coberto das condecorações que lhe valeu o seu merecimento, uma das mãos sustentando o rolo dos seus manuscritos, para indicar o homem de letras, a outra assente sobre o punho do seu espadim de moço fidalgo, para designar o homem de Estado — e os olhos, por trás dos óculos de aros de ouro, erguidos para o firmamento, simbolizando a sua fé em Deus e nos destinos imortais da Pátria!

 

Alves & C.ª

3             Nessa manhã, Godofredo da Conceição Alves, encalmado, soprando por ter vindo do Terreiro do Paço quase a correr, abria o batente de baetão verde do seu escritório num entressolo na Rua dos Douradores, quando o relógio de parede por cima da carteira do guarda-livros batia as duas horas, naquele tom, cavo, a que os tectos baixos do entressolo davam uma sonoridade dolente, e cava. Godofredo parou, verificou o seu próprio relógio preso por uma corrente de cabelo sobre o colete branco, e não conteve um gesto de irritação vendo a sua manhã assim perdida, pelas repartições do Ministério da Marinha: e era sempre assim quando o seu negócio de comissões para o Ultramar o levava lá: apesar de ter um primo de sua mulher Director-Geral, de escorregar de vez em quando uma placa de cinco tostões na mão dos contínuos, de ter descontado a dois segundos oficiais letras de favor, eram sempre as mesmas dormentes esperas pelo ministro, um folhear eterno de papelada, hesitações, demoras, todo um trabalho irregular, rangente e desconjuntado de velha máquina meio desaparafusada.

G            — E nós que estivemos para nos bater, Machado! A gente em novo sempre é muito imprudente... E por causa duma tolice, amigo Machado!

                E o outro bate-lhe no ombro também, responde sorrindo:

                — Por causa duma grande tolice, Alves amigo!

 

O Crime do Padre Amaro

4             Foi no domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé, José Miguéis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia. O pároco era um homem sanguíneo e nutrido, que passava entre o clero diocesano pelo comilão dos comilões. Contavam-se histórias singulares da sua voracidade. O Carlos da Botica — que o detestava — costumava dizer, sempre que o via sair depois da sesta, com a face afogueada de sangue, muito enfartado:

                — Lá vai a jibóia esmoer. Um dia estoura!

F             E o homem de Estado, os dois homens de religíão, todos três em linha, junto às grades do monumento, gozavam de cabeça alta esta certeza gloriosa da grandeza do seu país, — ali ao pé daquele pedestal, sob o frio olhar de bronze do velho poeta, erecto e nobre, com os seus largos ombros de cavaleiro forte, a epopeia sobre o coração, a espada firme, cercado dos cronistas e dos poetas heróicos da antiga pátria — para sempre passada, memória quase perdida!

 

A Cidade e as Serras

5             O meu amigo Jacinto nasceu num palácio, com cento e nove contos de renda em terras de semeadura, de vinhedo, de cortiça e de olival.

                No Alentejo, pela Estremadura, através das duas Beiras, densas sebes ondulando por colina e vale, muros altos de boa pedra, ribeiras, estradas, delimitavam os campos desta velha família agrícola que já entulhava o grão e plantava cepa em tempos de el-rei D. Dinis. A sua quinta e casa senhorial de Tormes, no Baixo Douro, cobriam uma serra. Entre o Tua e o Tinhela, por cinco fartas léguas, todo o torrão lhe pagava foro. E cerrados pinheirais seus negrejavam desde Arga até ao mar de Âncora. Mas o palácio onde Jacinto nascera, e onde sempre habitara, era em Paris, nos Campos Elisios, n.° 202.

E             E na verdade me parecia que, por aqueles caminhos, através da natureza campestre e mansa — o meu Príncipe, atrigueirado nas soalheiras e nos ventos da serra, a minha prima Joaninha, tão doce e risonha mãe, os dois primeiros representantes da sua abençoada tribo, e eu — tão longe de amarguradas ilusões e de falsas delicias, trilhando um solo eterno, e de eterna solidez, com a alma contente, e Deus contente de nós, serenamente e seguramente subíamos — para o Castelo da Grã-Ventura!

 

A Relíquia

6             Decidi compor, nos vagares deste Verão, na minha Quinta do Mosteiro (antigo solar dos condes de Lindoso), as memórias da minha vida —que neste século, tão consumido pelas incertezas da Inteligência e tão angustiado pelos tormentos do Dinheiro, encerra, penso eu e pensa meu cunhado Crispim, uma lição lúcida e forte.

D            E tudo isto perdera! Porquê? Porque houve um momento em que me faltou esse descarado heroísmo de afirmar, que, batendo na Terra com pé forte, ou palidamente elevando os olhos ao Céu — cria, através da universal ilusào, ciências e religiões.

 

O Mandarim

7             Eu chamo-me Teodoro —  e fui amanuense do Ministério do Reino.

                Nesse tempo vivia eu à Travessa Conceição n.° 106, na casa de hóspedes da D. Augusta, a esplêndida D. Augusta, viúva do major Marques. Tinha dois companheiros: o Cabrita, empregado na Administração do bairro central, esguio e amarelo como uma tocha de enterro; e o possante, o exuberante tenente Couceiro, grande tocador de viola francesa.

C             E todavia, ao expirar, consola-me prodigiosamente esta ideia: que do Norte ao Sul e do Oeste a Leste, desde a Grande Muralha da Tartária até às ondas do Mar Amarelo, em todo o vasto Império da China, nenhum Mandarim ficaria vivo, se tu, tão facilmente como eu, o pudesses suprimir e herdar-lhe os milhões, ó leitor, criatura improvisada por Deus, obra má de má argila, meu semelhante e meu irmão!

 

O Primo Basílio

8             Tinham dado onze horas no cuco da sala de jantar. Jorge fechou o volume de Luís Figuier que estivera folheando devagar, estirado na velha voltaire de marroquim escuro, espreguiçou-se, bocejou e disse:

                — Tu não te vais vestir, Luísa?

                — Logo.

H            Ao fundo do Aterro voltaram; e o visconde Reinaldo passando os dedos pelas suíças:

                — De modo que estás sem mulher...

                Basílio teve um sorriso resignado. E, depois dum silêncio, dando um forte raspão no chão com a bengala:

                Que ferro! Podia ter trazido a Alphonsine!

                E foram tomar xerez à Taverna Inglesa.

 

A Ilustre Casa de Ramires

9             Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do domingo de Junho, o Fidalgo da Torre, em chinelos, com uma quinzena de linho envergada sobre a camisa de chita cor-de-rosa, trabalhava. Gonçalo Mendes Ramires (que naquela sua velha aldeia de Santa Ireneia, e na vila vizinha, a asseada e vistosa Vila Clara, e mesmo na cidade, em Oliveira, todos conheciam pelo «Fidalgo da Torre»), trabalhava numa novela histórica, A Torre de D. Ramires, destinada ao primeiro número dos ANAIS DE LITERATURA E DE HISTÓRIA, revista nova, fundada por José Lúcio Castanheiro, seu antigo camarada de Coimbra, nos tempos do Cenáculo Patriótico, em casa das Severinas.

A            Os três amigos retomaram o caminho de Vila Clara. No céu branco a estrelinha tremeluzia sobre Santa Maria de Craquede. E padre Soeiro, com o seu guarda-sol sob o braço, recolheu à Torre vagarosa ente, no silêncio e doçura da tarde, rezando as suas ave-marias, e pedindo a paz de Deus para Gonçalo, para todos os homens, para campos e casais adormecidos, e para a terra formosa de Portugal, tão cheia de graça amorável, que sempre bendita fosse entre as terras.

TPC — (1) Concluir a redação iniciada em aula e trazer-ma. (2) No caso de já te ter devolvido a primeira versão da análise de canção/Frei Luís de Sousa com as devidas correções, não te esqueças de me enviar o ficheiro já com as emendas lançadas (esse tepecê grande só então se considera realizado). Em Gaveta de Nuvens tenho posto as análises revistas, acompanhadas de uma nota. (Se não estiver lá a tua, é que ainda me enviaste o texto revisto.) Quanto àqueles que ainda não me enviaram a primeira versão — cujo prazo estava há muito fixado para 2-3-4 de Março —, já não me comprometo a ver o seu texto neste período.


 

Aula 89-90 (13, 14/mar) Correção de ficha sobre Os Maias feita na aula anterior (ver Apresentação).

Exemplos de respostas para perguntas sobre Os Maias (3, 5, 5.1 da p. 243):

3. Afonso regressa a Lisboa porque «não queria […] viver muito afastado do neto», que, tendo terminado o curso, [viajado durante um ano e] pretendendo agora iniciar a sua carreira de médico, devia instalar-se na capital.

5. Fisicamente, Afonso era «baixo, maciço». Psicologicamente, era, segundo ele próprio, «egoísta», mas o narrador apresenta-o como «bonacheirão», altruísta («as generosidades do seu coração»; «parte do seu rendimento ia-se-lhe por entre os dedos, esparsamente, numa caridade enternecida»), «sereno» e «risonho». (Outro aspeto da sua caracterização, a idade, é focada a seguir, em 5.1.)

5.1 A hipérbole «mais idoso que o século» salienta a idade de Afonso, o seu retrato de patriarca daquela família, [o que vai ser determinante na componente de tragédia que tem o romance,] mas remete mais ainda para o facto de ter testemunhado uma série de acontecimentos históricos (em termos funcionais serve de bitola para o enquadramento histórico sobretudo nos capítulos de analepse).

 

Correção dos trabalhos de compreensão/gramática sobre «Esta é uma verdadeira tragédia...» (p. 219) e  de «Tragédia romântica» (220). [Na turma 9.ª fizeram-se as fichas, logo corrigidas; na turma 3.ª não se fez esta correção, porque também se não fizeram as fichas] (ver Apresentação).

 

Assistência a conclusão de Feios, Porcos e Maus (ao mesmo tempo que se conversava sobre avaliação com cada um dos alunos).


Iremos assistir à conclusão de Feios, Porcos e Maus, de Ettore Scola, que começámos a ver o ano passado.

 

Frei Luís de Sousa, tragédia clássica e Feios, Porcos e Maus

Quer no final do filme quer no final do drama de Garrett, a personagem feminina adolescente é sacrificada: na peça, Maria ___ (de tuberculose, de vergonha e por se ver separada dos pais); no filme, a miúda de cujo nome não me lembro aparece ____.

Em ambas as obras se chega a um momento em que o casamento do par de protagonistas se vê posto em causa por um terceiro elemento (pelo regressado João de Portugal, em Garrett; por uma prostituta, no filme de Scola). A solução é diametralmente oposta: em Frei Luís de Sousa, desfaz-se o par, pelo abandono da vida ____; em Feios, Porcos e Maus, há uma _______ do intruso (aliás, da intrusa).

Há uma apreciável unidade de _____ e de tempo na construção da peça, apesar de não tão rigorosas quanto estipulava o modelo da tragédia clássica (o mesmo local, um dia): dois palácios na mesma cidade; ___ dias. Quanto ao filme, começa e acaba no mesmo território (com raras saídas), mas o tempo é mais alargado, sendo as bitolas a barriga da miúda e a evolução da cidade em redor da barraca.

Na peça há rigorosa unidade de ação (tudo converge para o conflito e para a catástrofe), como manda o modelo da ______. No filme, o facto de haver personagens-tipo, cada uma com a sua vida um pouco particular, parece dispersar a ____, mas logo se percebe que há relativa convergência também (no conflito e, neste caso, na não-catástrofe).

O desfecho em Frei Luís de Sousa é fatal. No filme, há sempre uma redenção, uma salvação inesperada (diferentemente do que manda o modelo trágico).

Outra característica de tragédia que o drama garretiano adota é a do estatuto das personagens, que são, com efeito, de ____ estirpe social. Nos antípodas, na galeria de personagens do filme comparecem _____ em número razoável. Em termos psicológicos, a nobreza de caráter que supõe a tragédia verifica-se no Frei mas não no Feios.

O estilo elevado cumpre-se também na linguagem _____ do texto de Garrett. Esse estilo dá lugar, no filme italiano, a registos linguísticos absolutamente ______.

Nenhuma das obras usa o ____, obrigatório na tragédia. Estão ambas em prosa.

Já vimos que o coro da tragédia clássica talvez se concretize, na peça de Garrett, por intervenções de Telmo, de ____, dos religiosos. Será forçado, no caso da obra de Scola, considerar a avó como equivalente do coro.

Quanto à indole ‘representação’ (versus biografia, história) característica da tragédia, é discutível se é predominante no Frei Luís de Sousa. Curiosamente, em Feios, Porcos e Maus, parece mais óbvio o teor alegórico, simbólico.

TPC (para férias) — (1) Terminar, ou, pelo menos, avançar decisivamente, em Os Maias (haverá questionários de compreensão, para verificar se a leitura tem sido mesmo feita, logo no recomeço ou poucos dias depois). (2) Recomendo também que procurem ler, relativamente aos capítulos do manual que temos estudado, os enquadrados, os esquemas, os pequenos textos ensaísticos intercalados que possam ser úteis para fixar conteúdos relacionados com Frei Luís de Sousa ou com Vieira. (3) Quem não entregou trabalhos grandes — por vezes, ainda o do primeiro período; em outros casos, o mísero tepecê que lhes pedi em torno de Frei Luís de Sousa e canção —, que os faça em férias e mos dê depois. (Prometo no 3.º período ter isso em conta. Para já, terei de ser punitivo nas notas do 2.º período, como sempre fui avisando.)


 

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