Sunday, September 06, 2015

Os Maias 17



Ana S. (11.º 12.ª)
Ana S. (18,5-18) Pontos fortes Muito boa leitura em voz alta. Verdadeira transposição para outro contexto (ainda que quase no limite do descodificável): carta à avó (cfr. morte de Afonso da Maia). Texto escrito requintadamente. Filme próprio, feito com gosto. Realização mais que profissional. Aspetos melhoráveis Por vezes, léxico rebuscado, o que faz que a sintaxe seja gerida no limite do gramatical (cfr. regências, algumas discutíveis). Falhas concretas de redação: «o receio que» (seria «o receio de que»); na legenda final: «simplesmente Ana» seria «simplesmente, Ana».

Beatriz & Carlota (11.º 1.ª)
Carlota & Beatriz (14-13,5) Pontos fortes Transposição para outras enunciações (cfr. diário de Carlos). Boa leitura de Beatriz e bastante aceitável a de Carlota (mas esta com algumas hesitações). Aspetos melhoráveis Parte visual pobre (embora de autoria própria): um único slide (com o livro). Na redação: «*contarei-lhe» («contar-lhe-ei» — o futuro e o condicional pronominalizados recorrem a mesóclise); «*é decerto que mudará» («decerto que mudará» ou «é certo que mudará»); «*paradeiro da situação» (será «ponto da situação»?); «*posição e fortuna a que te pertencem» («posição e fortuna que te pertencem»); «foi de encontro a seu avô» («foi ao encontro de seu avô»); «pelo que Carlos escrevera aqui» [3’44] («pelo que Carlos escreveu aqui»).

Catarina (11.º 5.ª)
Catarina (18-17,5) Pontos fortes Reflexão por Maria Eduarda. Texto sofisticado. Muito boa leitura em voz alta. Gosto estético (e cuidado de pesquisa) revelado na seleção de trechos de filmes; cuidado, rigor, na indicação de referências (créditos) no final. Bom acabamento de tudo (o que inclui música também). Aspetos melhoráveis Na redação: «*mas todas as palavras fundiam-se e desdobravam-se» («mas todas as palavras se fundiam e (se) desdobravam»); «tento lutar a vontade que nasce em mim» («tento lutar contra a vontade que nasce em mim»); na legenda, Os Maias, desejavelmente, apareceria em itálico.

Filipa (11.º 8.ª)
Filipa (14-13,5) Pontos fortes Leitura em voz alta quase sem erros. Reflexão de Maria Eduarda (certa, ainda que sem especial inventividade). Aspetos melhoráveis Parte visual constituída por um único slide (embora próprio). Tempo da gravação relativamente curto (dois minutos e três segundos). Na pronúncia (e não sei se na redação prévia): «*tênhamos» (é «tenhamos», é claro).

J. Cabo (11.º 5.ª)
J. Cabo (14) Pontos fortes Criação com originalidade (embora talvez um pouco estapafúrdia, engenhosa mas quase delirante — era preciso demorar mais a narrar, para que não parecesse tudo tão abrupto). Sentido de humor, subliminar, no desenlace extraordinário. Aspetos melhoráveis Pouca extensão (2’05). Leitura em voz alta merecia ter sido repetida (em geral, é boa, mas há duas ou três hesitações...). Imagens googladas. Na redação: «*e reparou num pormenor que não tinha reparado» (seria: «*e reparou num pormenor em que não tinha reparado»); «*confrontou Carlos» («confrontou Carlos com» ou «enfrentou Carlos»); «*forma» («formava», para manter coesão temporal); «*as pessoas» («e as pessoas»).

Hugo (11.º 12.ª)

Hugo (13) Pontos fortes Criação de outra perspetiva (a de Ega). Ideia era interessante mas falta psicologia (acaba por a visão apresentada ser sobretudo factual, aliás, creio, um pouco segundo o que vem nas sebentas sobre a obra). A leitura em voz alta começa por fazer um esforço de expressividade (até alguma dramatização), mas, à medida que se avança, percebe-se ter faltado mais ensaio (a lentidão resguarda um pouco essa falta de ensaio). Aspetos melhoráveis Imagem pobre (apenas a capa do livro, googlada). Na legenda, falta o acento em «capítulo». Admito que tenha havido alguma confusão na interpretação de certos pormenores do capítulo (não percebo a assunção de que Afonso queria contar alguma coisa a Maria; Guimarães não era um amigo de Ega, propriamente; em vez de «Afonso de Maia» seria «Afonso da Maia»).

Miguel S. (11.º 7.ª)

Miguel S. (12) Pontos fortes Leitura em voz alta calma e percetível, ainda que falte expressividade. Ter-se compreendido capítulo. Aspetos melhoráveis Parte visual pobre (um único slide, embora bem escolhido). Gravação demasiado pequena (houve aliás pouco investimento nesta tarefa). Na redação: «*que incumbi ao Vilaça que te entregasse» («que incumbi Vilaça de te entregar»); «João de Ega» seria «João da Ega».

Catarina F. (11.º 8.ª)

Catarina F. (15,5-15) Pontos fortes Situação criada é original («E se a declaração de Maria Monforte fosse diferente...») e é também um bom pretexto para se mostrar a compreensão do capítulo (e de outros aspetos dos Maias). Realização do filme (com a protagonista a ser representada pela autora, que também lê em off). O desfecho da situação nas legendas. Aspetos melhoráveis Leitura podia ser mais calma (a pressa fez que houvesse hesitações aqui e ali; devia ter-se ensaiado mais vezes a leitura). No texto lido: «a herança a que tu só tens direito» seria «a herança a que só tu tens direito».

Catarina F. (11.º 1.ª)

Catarina F. (12) Pontos fortes Situação criada (cartas de Carlos e de Maria Eduarda a Ega). Leitura em voz alta, com bons momentos de expressividade. Certo cuidado técnico havido com o filme (escolha da música, por exemplo). Aspetos melhoráveis Imagens googladas. Alguns erros em verbos (por exemplo: dado o resto do relato, «no momento em que o vira» deveria ser «no momento em que o vi»; este uso do mais-que-perfeito em vez do pretérito perfeito acontece mais vezes e talvez esteja ligado ao ter-se seguido o original de Eça sem cuidar de que a narrativa criada implicava outra enunciação). Na redação: «teres entregue» devia ficar «teres entregado»; atualmente preferimos «cobardia» a «covardia».