Wednesday, August 24, 2016

Pessoa pelo 12.º 7.ª



Seguem-se trabalhos em torno de poemas de Pessoa. As instruções para esta tarefa ficaram aqui.

Sara
«Há metafísica bastante em não pensar em nada» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/1482 | Sara (15,5) Foram usadas imagens próprias, em filme, adequadas ao texto (e com som também apropriado). Leitura em voz alta bastante boa, sem erros. Crítica que se pode fazer é não ter havido criação textuai ou de outro tipo significativa — é trabalho quase só de leitura, ainda que bem enquadrado em termos visuais.

Beatriz Belo

«Sim, passava aqui frequentemente há vinte anos...» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/60 | Bea Belo (12,5-13) Leitura em voz alta entre boa e-boazinha (há um ou outro entaramelamento ou ligeiras hesitações). Há, no final, um acrescento textual da lavra da autora. Ainda assim, o trabalho é quase só de leitura em voz alta do texto de Campos. O enquadramento visual é pobre (imagens googladas, com efeito de movimento).

Leonor F.

«A liberdade, sim, a liberdade!» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/3349 |
Leonor F. (18) Num primeiro momento, temos o bom texto criado pela autora, que serve de pretexto à incorporação do poema de Campos. Toda a situação, em termos visuais e de som, e quanto a representação também, foi muito bem concebida e executada com requinte estético. Na declamação do poema, pode parecer que respiração não foi gerida — mas esse efeito, de certa sofreguidão, torna o texto até mais verosímil (note-se ainda a dificuldade suplementar de ter de se dizer o poema enquanto se olha na direção da câmara). Tempo mínimo não foi cumprido.

Mateus

«A vida é para os inconscientes (Ó Lydia, Celimène, Daisy)» (Álvaro de Campos); «Gozo os campos sem reparar para eles» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/3333; http://arquivopessoa.net/textos/3223 | Mateus (15) Leituras representadas (com esboço de ilustração mímica), originais e engraçadas. Tanto a leitura como a encenação parecem pouco ensaiadas, ficando a dúvida sobre se se pretendia mesmo o efeito de apanhar o processo de ensaio em curso ou se trata mesmo de conjunto de pequenos lapsos. Notam-se hesitações e houve erros relativamente ao que está nos poemas: «*é ter» (e ter); «*nas nossas memórias (nas nossas ideias); «*cosido da seda» (cosido a seda); «*não gozo: não vejo» (não gozo: vejo).

Paulo
«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/4422 | Paulo (16) No início do filme, percebemos que se criou narrativa em que vai entrar o poema de Campos. O diálogo, bem representado, não só é engraçado como verosímil. Segue-se o poema, cuja leitura, que é fluente, poderia ser mais expressiva. Na pronúncia há correções a fazer: não é «cas[ê]bre», mas «cas[ε]bre»; e, em vez de «p[ê]co-me», será «p[ε]rco-me»; em vez «*exa[k]to», «exato». No último verso, o que está no poema é «cada vez menos perto de mim» (não «*cada vez mais perto de mim»).

Débora
«Amei-te e por te amar» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/2230 | Débora (11,5-12) Leitura em voz alta sem erros, mas pouco fluida e sem especial expressividade (o facto de se tratar de poema de Pessoa ortónimo, rimado, não favorecia que se brilhasse — os textos de Campos, por exemplo, acolhem mais facilmente as leituras expressivas). Também a parte visual não foi muito ambiciosa. Enfim, há pouca criação pessoal.

Tomás
«Se te queres matar, porque não te queres matar?» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/4360 | Tomás (14-13,5) Faz-se uma boa (bastante boa) leitura em voz alta de longo poema de Campos. Imagens reproduzem filme de desenhos animados, sem grande intervenção do autor do presente trabalho (embora o filme aluda a tópicos tratados no poema). Alguns lapsos na leitura: «escrúpulos morais, receios de inteligência» é lido «escrúpulos morais ou receios de inteligência»; «gorduroso» é dito «doloroso»; «nocturnamente» já não se escreveria com c e há muito se diz sem [k]; também houve hesitação notória em «proliferação».

Sebastião
«A última nau» (Fernando Pessoa [Mensagem]) | http://arquivopessoa.net/textos/87 | Sebastião (18-18,5) Tanto a escrita como a leitura em voz alta, nos vários géneros que são convocados no filme, mostram sempre proficiência. Talvez a leitura em voz alta de «A última nau» pudesse ser mais grave (mais «estoica»), mas é difícil adinharmos a expressividade que se adequa a estes textos entre esotéricos e nacionalistas. Neste trabalho, a investigação, o estudo, foi preponderante. Foi essa pesquisa — quase sempre certeira — que justificou boa parte das intervenções no filme. O facto de se ter optado por fórmula original (narrativa que tem subjacente dados históricos que houve que recolher) leva a que os recursos visuais e o tipo de oralidade que surgem no filme sejam incomuns em tarefas destas. Sobre as peripécias em causa (concurso do SPN, Ferro, Pessoa, Mensagem, Romaria, Salazar) havia muito mais a dizer, mas o que foi dito por Sebastião está certo. Quando dermos o poema «Liberdade» (p. 57 do manual), voltarei ao caso. Para já, direi só que Pessoa, agastado com uma lei [antimaçónica] aprovada pouco antes, não compareceu na «gala» de distribuição dos prémios; e que o discurso que Salazar fez nessa ocasião o irritou sobremaneira («Liberdade» foi uma das mais imediatas respostas).

B. Bettencourt
«É noite. A noite é muito escura. Numa casa a uma grande distância» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/1011 | B. Bettencourt (17) Grande mérito na criação do fundo visual, uma animação (por vezes, quase ingénua; outras vezes, levemente irónica — aliás, as duas características alimentando-se reciprocamente). A leitura é boa (embora aproveitando o facto de os textos de Caeiro requererem apenas um estilo neutro, calma, boa definição das palavras, não pondo dificuldades em termos de sintaxe ou de entoações modalizadas). No final do 1.º verso foi omitido um segmento: «[É noite. A noite é muito escura.] Numa casa a uma grande distância / [Brilha a luz duma janela]». Tempo mínimo não foi cumprido.

Ariana

«Na noite terrível, substância natural de todas as noites» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/4409 | Ariana (14-13,5) Leitura em voz alta calma, quase sempre correta, mas talvez não com expressividade «à Campos» Imagens são bonitas mas não originais. A corrigir: «*eu posso» (eu possa). Texto fora, em parte, dado em aula (incluído num trecho da telenovela O Clone, cujo protagonista gostava de citar passos de Pessoa).

Anastasiia

«Meu pensamento é um rio subterrâneo» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/2928 | Anastasiia (18-18,5) Há um enquadramento inicial, ainda antes do poema, muito bem construído. Traça-se um contexto em poucas pinceladas, como só se faz em cinema. Engenho técnico (excelente o som) e planificação foram essenciais neste prolegómenos. Depois o poema é conformado a diálogo intimista ainda que sem destinatário visível (a verosimilhança do resultado — se não soubéssemos que era um poema, acaso estranharíamos o monólogo em causa? —, que respeita praticamente o exato original, comprova que a leitura dramatizada, a representação, foi muito boa). A ordem «um soluço pálido» (em vez de «um pálido soluço») foi propositada? Em «ermos montes» parece mais «[ε]rmos» que «[ê]rmos», que é como deve ser.

Inês
«Não, não é cansaço...» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/228 | Inês (17,5) Antes da leitura em voz alta dá-se-nos o processo para se escolher o poema, assim desvendando os bastidores do trabalho, mas esse momento é aproveitado para referir outros textos, recordando as suas características (funciona, portanto, como apontamento de revisão, como cábula). A redação que suporta esse monólogo, sempre levemente irónica, é muito boa, melhor até do que a sua dramatização, que me parece aqui e ali talvez adocicada, demasiado bem comportada. Tudo (isto é, a demanda do poema ideal) conflui para o cansaço que é o tópico do texto eleito. Aqui a leitura em voz alta é muito boa, apesar de a música (e até foi bem pensado o seu surgimento no final) esconder um pouco o texto dito. A corrigir: «*A sua objetividade visual e, de certa forma, a sua ingenuidade, são fatores que têm em conta na recitação» (creio que será «A sua objetividade visual e, de certa forma, a sua ingenuidade, são fatores a ter em conta na recitação»).

Melissa
«A música, sim a música...» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/945 | Melissa (17,5) Leitura em voz alta boa (ou, mesmo, muito boa). Situação criada, em filme próprio, protagonizado pela autora, com estilo gráfico (e musical) marcado, atenua o facto de não haver outro tipo de criação (em termos de texto, por exemplo). O microfilme ficou um objeto bem acabado, bem produzido. (Não defenderia a aproximação entre texto de Campos e a música que a ilustra, mas, pensando bem, podemos justificar a escolha como instrumento também da caricatura, da marca ou estilo, que o filme adota.

Leonor G.
«Tabacaria» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/163 | Leonor G. (*16) (Classificação inclui já penalização por atraso.) Criou-se reformulação do texto original. Quanto a esse texto de Leonor, há alguns lugares comuns, frases poéticas fáceis, mas não há erros nem má sintaxe e é interessante a articulação com o poema de Campos. Leitura em voz alta merecia ser mais ensaiada (terá sido repetida quantas vezes? duas, uma, ou houve só uma tentativa?). Imagem fixa simples, a assinatura da autora, mas que resulta (é pertinente e, visualmente, forte). Também a música funciona bem. Poema está no manual, embora não todo, e foi estudado em aula.

Miguel B.
«Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/3248 | Miguel B. (*13) (Classificação inclui já penalização por atraso.) Trabalho mostra eficiência técnica, boa intuição criativa. Acompanhamento musical resulta muito bem e acaba por comandar a própria leitura em voz alta, que parece, assim, tornar-se mais significante (embora não implicasse, até pelo poema, grande expressividade). Em termos fílmicos, o trabalho está demasiado económico (um slide), apesar de até adivinharmos que essa parte poderia ser, para o Miguel, fácil de resolver. Tempo mínimo não chega a ser cumprido.

Beatriz C.

«Ode Marítima» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/135 | Beatriz Cotrim (*9) (Classificação inclui penalização por incumprimento do prazo.) Não me vou demorar neste comentário porque quero evitar gastar mais tempo com ele do que a Beatriz a fazer a tarefa. Com efeito, não me parece que tenha havido suficiente investimento. O slide é o primeiro que nos aparece se googlarmos «Ode marítima». A leitura em voz alta também foi insuficientemente ensaiada. Tempo mínimo não foi atingido. Sim, já gastei mais tempo.

Rebeca

«No entardecer dos dias de Verão, às vezes» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/3458 | Rebeca (14) Houve o cuidado de usar filme e não simples imagens fixas (que não serão originais — se sim, seria boa «mais-valia» —, mas são bonitas e pertinentes, dado o poema). Música bem escolhida. Enfim, vê-se que houve gosto na produção deste objeto, que está, técnica e esteticamente, bem acabado. Boa leitura em voz alta, calma (ainda que haja três cortes na recolha da leitura — o que aliás também não estava proibido). Tempo mínimo não foi cumprido.

Catarina
«O amor, quando se revela» (Fernando Pessoa) | http://arquivopessoa.net/textos/1318 | Catarina (15) Foram criadas estrofes que se vão intercalando entre as de Pessoa. Estão bem escritas (em termos de rima, ritmo, sentido básico, embora, é claro, não tenham valor literário, se olhadas como textos de lírica). Valia a pena ficar mais assumido o caráter de brincadeira, de contraste irónico entre o registo lírico de Pessoa e a sua transposição para o contexto atual. Ficar, portanto, mais explícito, o tom lúdico, paródico. Esse tratamento caricatural exigiria que escrita e leitura fossem mais trabalhadas (ficarem menos uniformes?). Leitura em voz alta sem erros, fluente, mas sem expressividade (nem por culpa da autora, mas porque o texto escolhido não implicava exibição de recursos: os poemas do ortónimo, com rima, fáceis, não põem desafios, acabam por ser má escolha para quem pretenda ser expressivo). Em termos de imagem, trabalho demasiado económico (slides googlados); melhor o som. Tempo mínimo não foi cumprido.

André

«Lisboa com suas casas» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/2575 | André (*10) (Classificação inclui penalização por atraso.) Boa ideia: à medida que se vai lendo, ir comentando cada passo do poema, fingindo discordância-crítica, o que serviria para realçar, pela ironia, algumas das idiossincrasias do estilo de Campos. A execução desta ideia foi apenas iniciada, mas deveria ter sido alargada a mais texto. De qualquer modo, esses trechos estão bem escritos e foram bem ditos (tal como a curta introdução, em estilo informal). Em termos visuais, não houve suficiente trabalho (um slide googlado). Não se cumpriu o tempo mínimo.

Carolina

«Realidade»; «Penso em ti no silêncio da noite, quando tudo é nada» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/60; http://arquivopessoa.net/textos/912| Carolina (*10) (Classificação inclui penalização por atraso.) Foram recolhidas imagens numa Lisboa que poderia ser a de Pessoa, sendo esse enquadramento, por slides fixos mas próoprios, um aspeto que se deve elogiar. Leitura em voz alta bastante aceitável, tendo havido já algum ensaio. Nesta leitura a interpretação procurou alguma expressivadade, embora sem se ter em conta o estilo talvez mais apropriado a Campos (mais hesitante, irrequieto, talvez). A corrigir: «*o não saber nada» (o não se saber nada); «*pensando em ti» (penso em ti); «*está ou quê» (está o quê); «*indêntica» (idêntica).

Margarida

«A liberdade é a possibilidade do isolamento» (Fernando Pessoa [Bernardo Soares, Livro do Desassossego]) | http://arquivopessoa.net/textos/1522 | Margarida (13) Mostra-se boa capacidade de leitura, não havendo erros, e conseguindo-se, além de evidente fluência, bastante expressividade (embora a alternância entre estilo mais rápido e mais lento não seja sempre coerente). Imagem fixa que, na versão enviada pela autora, era googlada (preferi eu trocar essa imagem por uma do datiloscrito do texto em causa). Deve ter-se em conta que se trata de prosa (do Livro do Desassossego), o que eu desaconselhara. A corrigir: «*s[ê]rvo» seria «s[ε]rvo» («cervo» é que é com e fechado).

Nathalia

«O amor é uma companhia» (Alberto Caeiro) | http://arquivopessoa.net/textos/3236 | Nathalia (*10) (Classificação inclui penalização por atraso.) Interessante o recurso a leitura «em direto» (enfrentando a câmara), o que constitui dificuldade suplementar. Na leitura em voz alta noto duas omissões: «se eu [não] a vejo»; «mas se a vejo [tremo], não sei». Também devo elogiar a inclusão da referência do poema. Tempo mínimo fnão foi cumprido.

Miguel S.

«A música, sim a música...»; «A liberdade, sim, a liberdade!» (Álvaro de Campos) | http://arquivopessoa.net/textos/945; http://arquivopessoa.net/textos/3349 | Miguel S. (*9) (Classificação inclui penalização por atraso.) Trabalho revela pouco investimento. Não se criou texto próprio. A leitura tem o mérito de tentar ser expressiva — embora seja discutível se se acerta sempre no tipo de emoção que conviria representar — e é clara. Depois de insistência minha foi possível cumprir-se o tempo mínimo pedido e acabou por se criar um slide interessante — composto pelo autor —, que reúne os tópicos que parecem ser tratados nos dois poemas de Campos. Na leitura em voz alta há algumas hesitações («sem infância», antes de se emendar para «sem influência»; mais à frente, «infância» vai sair também imperfeito; quanto a «imanenre», devia ser «imanente», mas não é culpa da leitura — é erro no próprio texto seguido).

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